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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

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14/10/15

Universo 25 - O Simulador do Paraíso

por Olavo Rodrigues

Quantos seres humanos gostariam de viver num mundo paradisíaco? No qual comida, bebida, higiene e habitação estivessem sempre garantidas? Todos. Contudo, o que aconteceria se esse mundo ficasse sobrepovoado?

John/Jon Carron fez uma experiência que respondeu a esta pergunta, usando os típicos ratos de laboratório brancos. Durante décadas este homem experimentou os efeitos em espaços simuladores de mundos perfeitos a que chamava "universos". O mais conhecido é o Universo 25, criado em 1968 e levado a cabo durante quatro anos. Os seus resultados espantosos continuam até hoje a ser uma referência para uma boa reflexão.

Como já foi mencionado, o "mundo" era paradisíaco, portanto, os ratos possuíam comida e bebida ilimitadas e um clima fantástico sem predadores. A única barreira era a quantidade de espaço. 

A experiência dividiu-se em cinco fases:

 

1ª:

Esta durou 104 dias. John/Jon Carron depositou no simulador 16 ratos, havendo simetria entre machos e fêmeas. O início foi bastante calmo, os animais estavam felizes com o ambiente e obviamente, com os recursos. Assim sendo, começaram desde cedo a reproduzir-se e a população duplicava a cada 55 dias.

 

2ª:

Do dia 105 ao 315 havia mais de 600 indivíduos, os quais estavam divididos em 14 grupos sociais, cada um com um macho dominante. 

 

A fase agora exposta teve origem no dia 316 e acabou no 560. Foi nesta altura que o mundo perfeito dos ratos começou a dirigir-se ao abismo. A partir dos 615 elementos, a taxa de crescimento diminuiu, o simulador começava a carecer de capacidade espacial.

Trezentos machos competiam entre si pela supremacia do território, o que os conduziu a uma violência desenfreada. Devido a tal, os lugares onde estavam as crias ficaram desprovidos de protecção, tendo as fêmeas sido obrigadas a ocupá-los.

A agressividade instalou-se na memória genética e foi passada à nova geração. Esta por sua vez era ainda mais violenta que a anterior, contribuindo com mais peso para a queda da sociedade.

Os machos mais fracos mantinham-se longe de toda a actividade, inclusive dos recursos, contudo, ocasionalmente sem nenhuma provocação, atacavam outros indivíduos, matando todos os que conseguiam. 

Quando a população atingiu os 2600 ratos, os mesmos já não se reproduziam, a morte era dona e senhora do Universo 25. Do dia 560 para a frente, a taxa de mortalidade tornou-se superior à da natalidade. 

 

Desde o dia 561 ao 1471, os animais alcançaram o pináculo da agressividade, que era totalmente normal e constante. O canibalismo passou a fazer parte do quotidiano da sociedade. O paraíso estava definitivamente virado do avesso, tinha-se tornado num horrível inferno.

Porém, surpreendentementemente, no meio de tantas atrocidades, um grupo de machos logrou ir para um espaço completamente livre de outros ratos.

Mas o mais estranho era o seu comportamento. Só se preocupavam em sobreviver ao cuidar do seu corpo, alimentar-se e dormir. Eram apáticos uns para com os outros, não tinham apetite sexual e procuravam proteger-se, evitando lutar. Cada indivíduo existia no mesmo espaço-tempo que os demais, todavia, estava isolado na sua própria existência. Este conjunto foi denominado de "ratos bonitos".

A nova "sociedade" acabou por desaparecer devido à apatia, o seu único problema.

 

Devido a tudo isto, surgiu então a 5ª  e última fase, a da extinção. Nesta etapa, a maioria das fêmeas que nascia não queria emprenhar, tinha perdido o instinto maternal. As poucas crias que iam aparecendo não chegavam à idade adulta. Por estas razões, a taxa de crescimento caiu no zero e os ratos, sem indícios de recuperação, começaram a morrer até não restar quase nenhum.

No dia 1471 a experiência foi dada por concluída. Alguns animais ficaram vivos até ao fim, não tendo resistido muito mais depois - 27 indivíduos entre os quais estavam 23 fêmeas e quatro machos. O mais jovem tinha 987 dias, o equivalente a noventa anos humanos. Isto significa que os sobreviventes eram os mais antigos.

 

A conclusão que eu tiro desta experiência é que podemos compará-la com a realidade da humanidade. Nós tínhamos um paraíso, mas por não sabermos co-existir, estragámo-lo. É um facto que a sobrepovoação pode levar à escassez de recursos, o que por sua vez gera violência. No entanto, há um ditado que diz o seguinte - a Terra tem que chegue para todos, mas não para a ganância de alguns. 

Eu acredito que a carência de recursos se relaciona principalmente com o excesso. Sim, claro que o planeta ficaria gasto de qualquer maneira, contudo, demoraria muito mais se fosse mais bem gerido. 

Tendo o mundo passado por etapas semelhantes às do Universo 25, o Japão parece estar a abraçar a apatia. De há uns anos para cá a sua taxa de natalidade tem caído. O governo tenta combater o acontecimento ao pagar às pessoas para procriarem.

Todavia, não está a ser suficiente e prevê-se que num futuro próximo, a população japonesa seja constituída apenas por adultos. 

Comparados com a experiência, aparentamos estar a chegar à última fase, porém, há a diferença de que os nossos recursos são limitados. Cabe-nos a todos nós mudar o rumo da espécie. 

 

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=c1QNbR1A1ME

 

 

 

 

 

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