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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

08/08/16

Uma Galeria Oculta por Visitar

por Olavo Rodrigues

Desde que o mundo é mundo ou pelo menos desde que nos lembramos, sempre existiram diversos idiomas, os quais reflectem a cultura de cada falante. E também é um facto que sempre houve umas línguas mais faladas que outras até chegarmos ao processo de globalização e algumas se tornarem dominantes, principalmente o inglês.

É engraçado constatar que ganhamos independentemente de o nosso idioma ser amplamente conhecido ou não. Dá um jeitão muita gente falar a nossa língua, somos entendidos aonde quer que vamos, embora não seja aconselhável nem sensato as pessoas encostarem-se à sombra da bananeira. 

Faz parte do código de honra do viajante saber o básico tal como: cumprimentar, despedir-se pedir para ir à casa de banho, entre outros. 

Todavia, por outro lado, saber uma língua pouco conhecida ou falada é único e incrível devido a isso mesmo. Eu não concebo que um não-nativo de inglês, por exemplo, gostasse que a sua língua materna fosse o dito. Não desfazendo, os anglófonos merecem todo o mérito por terem feito da sua expressão linguística uma das ferramentas mais importantes do mundo actual. 

Mas hoje em dia, toda a gente acaba por aprender inglês, então, por que não celebrar que já se tem um passo de avanço nesse sentido? A minha perspectiva enquanto amante de línguas é que cada uma é uma obra-prima em si e ignorar a maioria, limitando-se a uma ou duas tem o mesmo sentido que apreciar o trabalho de Picasso apenas e deixar o resto dos artistas de parte, quando há tantos talentos a borbulhar. 

Portanto, se a vossa paixão for igual à minha, sugiro-vos que não ponham os quadros conceituados de parte, mas que também não ignorem os que aparentemente não têm muito ou nada para dar.
Quem sabe, uma majestosa preciosidade pode estar a aguardar o seu lugar na galeria, mas ainda não foi suficientemente descoberta.  Na minha mais sincera opinião, eu não acharia piada nenhuma a ver sempre os mesmos trabalhos, tornar-se-ia aborrecido.

Eu cá ando de olho no sueco, no japonês e no russo, a fonética dos três é estranhamente bonita e a do terceiro, engraçada também. 

Por que não aproveitar também para projectar o nosso rico português? Não há muitos falantes não-nativos e os existentes costumam preferir a variante brasileira. Nenhuma queixa tenho a apresentar quanto a isto, fico feliz por alguém conseguir impulsionar a língua portuguesa, contudo, Portugal tem de tentar puxar a sardinha à sua brasa, não é?

Uma última nota: como já referi aqui - Língua Portuguesa - urge salvar a maior representante do nosso país de uma extinção lenta, mas a ocorrer. A língua de Camões está a ser vorazmente engolida pela globalização e enquanto amantes deste tesouro, cabe-nos a nós abrandar o ritmo do desaparecimento exurbitante.

Não pará-lo, mas sim pôr-lhe um pequeno travão ao arranjar versões em português para os vocábulos modernos e deixar de misturar dois idiomas na mesma frase. 

 

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