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Toca do Coelho

Uma espécie de blogue/livro/coiso com espécies de texto.

Toca do Coelho

Uma espécie de blogue/livro/coiso com espécies de texto.

24.Mai.22

Dez para as Seis da Tarde

Olavo Rodrigues
Às dez para as seis da tarde Espero-te no Inverno das raízes frouxas Esperança mouca e cega  Que não vê o buraco da expectativa  Nem ouve o aviso da vivência.   No escurecer da noite fria, encontro paz Um reconforto no preto absorvente do céu, Que ainda está por aparecer  Onde antes o negro era dor Agora é anestesia Uma tranquilidade em que os pensamentos dormem E em que o pranto das emoções se embala.    Quem me dera que a ventania me levasse O Inverno tem uma maneira (...)
27.Fev.22

Quero mais Tempo

Olavo Rodrigues
Ó, juventude minha Que me deixas para trás Maldito tempo em linha Que nesta existência se faz.   Quero concretizar tudo E ainda ter tempo para nada Mas contemplando os sonhos do futuro mudo Vejo instalar-se uma nova madrugada.   Ainda na flor da idade Sinto um desgosto de terminar inacabado Invariável fim que não cede à curiosidade Abrindo os olhos, amanhã serei um velho desgastado.   Milhares de milhões de livros para ler Mas sem olhos suficientes para os admirar S (...)
28.Jan.22

Ode às Mulheres Gordas

Olavo Rodrigues
"Gorda", que adjectivo tão injustamente repelido Por isso uso-o aqui como elogio É um dom que jamais deve ser contido "Gorda" é graciosidade como nunca se viu.   Podem ter alguma celulite e uma pancinha Podem ter coxas grossas e uma barriga em cúpula É deslumbrante o ventre que descai de uma rainha, Tal como a beleza da barriga dupla.   Tudo nelas é abundância Tudo na abundância é sensualidade Nada de excessivo há na exuberância Gera, isso sim, muita atracção e (...)
31.Mai.20

Para Quando a Nova Manhã?

Olavo Rodrigues
Que desgosto fatal A humanidade foi atropelada Por um imprevisto tal Que a deixou para sempre marcada.   Vida estranha esta que por um pé foi barrada Como um carreiro de formigas em andamento Corremos atrás de 2020 com um sorriso pequeno Em busca da fraca luz da madrugada Coberta agora pelo relampejar do sofrimento.   Com o caminho interrompido Lá se vão as inúmeras ambições Já tenho o cérebro entupido De tanto covid e discussões.   Pede-se à arte que imagine (...)
23.Ago.19

Bem Sentado

Olavo Rodrigues
Estou sentado à janela no preciso momento Em que monto estes versos, Mimado pelo sol, Que, embrulhada na luz, Me oferece alegria de viver ao corpo.   É no Vale dos Sonhos que vivo as maiores aventuras De tipos tão variados e numerosos quanto as partículas de luz Que relevam a genuinidade destas palavras.   Eu gosto daquele lugar Estou seguro mesmo quando estou em perigo E é tão bom saber que,  Afinal,  Não preciso de pagar pelas melhores viagens.   Mas hoje é (...)
06.Jun.19

É Verão!

Olavo Rodrigues
Eu cá, quando for grande Quero continuar a ter férias grandes.  Acabam depressa e são de aproveitar.    É Verão. Por onde começar? Passas o dia na praia Com as gaivotas a cantar Enquanto se reza para que o castelo de areia não caia.  Sentes o beijo das ondas a tocar-te nos pés Que te chama para brincar na liberdade do reino de Neptuno.  Lavas-te entre risos e molhadelas geladas de lés a lés Até contemplares o sorriso do céu nocturno.    Há tanto tempo que (...)
30.Abr.18

Obras de Arte Vivas

Olavo Rodrigues
Desde o início dos tempos Que a humanidade usa o seu potencial  Para criar rios de sentimentos Através da palavra imortal.   Tantas são as línguas que fluem  Nas almas imperfeitas dos mortais. Umas sobrevivem e outras ruem, Mas sempre surgem outras que tais.   No seio da inovação estão as obras de arte vivas, Não estão na cabeça, mas sim no coração. São hiperactivas e sempre se tornam numa nova canção.   Oxalá pudesse sabê-las todas de cor, Assim nunca (...)
25.Fev.18

Sem Âncora

Olavo Rodrigues
Na linha do conhecimento só há espaço para curvas, Que se tornam turvas na avalanche de informação E enquanto isso, eu aprendo sem querer ter razão.   Eu não me conheço, pois para os pensamentos,  Não há casa fixa em mim. Sempre me altero à medida que me aproximo do fim Num ritmo mutável e nada lento.    Eu sou vários através do tempo! Que bom não haver constância em mim.  
23.Jan.18

O Estranho Observador

Olavo Rodrigues
Estou eu a olhar-me no espelho, A ver-me como se não fosse eu, O tipo mais estranho de quem recebo o conselho, Que não está seguro do que he seu.   Parece egocentrico o observador fixado, Mas só porque nunca se sente authentico, Pois não vê mais que um Eu ficcionado.   Como he estranho e interessante ver-me como um tu. Certamente, de onde aquelle veio, haverá sempre mais que um. Nunca he o mesmo tipo com quem me encontro. Todos os dias há um novo, cada vez mais distincto do (...)