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Toca do Coelho

Uma espécie de blogue/livro/coiso com espécies de texto.

Toca do Coelho

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31
Mai20

Para Quando a Nova Manhã?

Olavo Rodrigues

Que desgosto fatal

A humanidade foi atropelada

Por um imprevisto tal

Que a deixou para sempre marcada.

 

Vida estranha esta que por um pé foi barrada

Como um carreiro de formigas em andamento

Corremos atrás de 2020 com um sorriso pequeno

Em busca da fraca luz da madrugada

Coberta agora pelo relampejar do sofrimento.

 

Com o caminho interrompido

Lá se vão as inúmeras ambições

Já tenho o cérebro entupido

De tanto covid e discussões.

 

Pede-se à arte que imagine

E à filosofia que pense,

Pois a ciência está desamparada

E a política deveras destroçada.

 

Assim, gira a distorcer a razão

Este círculo de caos desmedido

Equanto adiamos a nossa ascensão

Por tempo indefinido. 

 

Aleluia! Já podemos aquecer os motores!

De volta aos braços dos nossos amores

Devemos agradecer a nossa disposição sã

Por vermos levantar-se a nova manhã. 

23
Ago19

Bem Sentado

Olavo Rodrigues

Estou sentado à janela no preciso momento

Em que monto estes versos,

Mimado pelo sol,

Que, embrulhada na luz,

Me oferece alegria de viver ao corpo.

 

É no Vale dos Sonhos que vivo as maiores aventuras

De tipos tão variados e numerosos quanto as partículas de luz

Que relevam a genuinidade destas palavras.

 

Eu gosto daquele lugar

Estou seguro mesmo quando estou em perigo

E é tão bom saber que, 

Afinal, 

Não preciso de pagar pelas melhores viagens.

 

Mas hoje é diferente

O Verão também está de férias

E não sufoca ninguém,

Permitindo-me não ter de escolher

Entre respirar e escrever 

Hoje é dia de descanso

Para a Natureza, para os que me rodeiam e para mim.

 

Tenho de aproveitar:

Estou sentado. 

Estou sentado no descanso

Não há,

Aliás,

Outra forma de estar sentado.

 

Ou se senta ou se está no assento com bichos carpinteiros

Seja no rabo, na cabeça ou nas mãos,

As quais laboram em conjunto.

 

Hoje não trabalho: escrevo

Não é a mesma coisa

Escrever é para quando estou sentado

Trabalhar é para quando escrevo com bichos carpinteiros.

 

Em que hei-de pensar?

Não: como hei-de fluir?

Não há nada para fazer

A não ser mover a caneta

E contemplar o encanto da simplicidade do Agora.

 

Por uma vez, o mundo prende-me como é

Por uma vez,

Como um grão diferente em toda a praia,

O mundo é belo como é

E não apenas quando eu não sou como sou 

Fora dele.

 

A presença constante da vida:

Pessoas que passam a falar,

A criança que sempre chora e ri

A gaivota que anuncia a sua existência

Ao contrário de mim.

As pessoas que convivem fora deste isolamento à janela,

Deste presente que traduzo para aqui.

 

Por uma vez, o mundo apraz-me no presente

Mas, a bem da verdade,

Eu continuo a não ser uma peça desta maquinaria incansável.

Posso estar aqui, na fisicalidade, a assimilar as ocorrências

Mas não deixo de estar num casulo só meu

Enquanto o mundo passa por mim ao seu próprio ritmo

E eu me demoro aqui ao meu

Partilhamos o mesmo espaço-tempo,

Mas não a mesma vivência

Talvez nem sequer a mesma realidade.

 

Eu não sou parte da maquinaria 

Pertenço à Natureza,

Pois quis o Universo que fosse a minha natureza estar

No outro lado do equilíbrio:

No dos mais alheios. 

 

E não podia sentir-me mais grato

Por me conceder a oportunidade de parar

E de consertar o meu equilíbrio

Focado no ambiente certo,

Ao ritmo certo

E com o propósito da caneta certo.

 

Obrigado, Universo,

Por esta folga fora de mim

Por me deixares molhar só os dedos dos pés

E ter o melhor dos dois mundos. 

 

 

 

 

 

 

 

06
Jun19

É Verão!

Olavo Rodrigues

Eu cá, quando for grande

Quero continuar a ter férias grandes. 

Acabam depressa e são de aproveitar. 

 

É Verão. Por onde começar?

Passas o dia na praia

Com as gaivotas a cantar

Enquanto se reza para que o castelo de areia não caia. 

Sentes o beijo das ondas a tocar-te nos pés

Que te chama para brincar na liberdade do reino de Neptuno. 

Lavas-te entre risos e molhadelas geladas de lés a lés

Até contemplares o sorriso do céu nocturno. 

 

Há tanto tempo que não tinhas tempo

E agoram vieram as férias grandes 

Fora  da escola, espera-te o desejado momento

Cheio de gelados, refrescos e sestas incessantes.

 

Os mimos na casa da avó, sempre cheia de chocolate 

E sumo de fruta natural.

Tudo isto faz parte

Do prazer de não cumprir deveres

À chegada do Verão doce, como a sua calma matinal.

 

A criatividade floresce 

E a criança cresce

Imersa no direito que não pode ter

É simplesmente lindo observar

O desdobramento genuíno do Ser. 

 

Podes ser um super-herói

Ou um supervilão.

Sê quem sói

Passar à acção. 

Que tal viajar pelas estrelas?

Ou correr o mundo como agente secreto?

As infinitas criações, toda a criança sonha tê-las

E graças às crianças, nunca o divertimento foi tão completo. 

 

Um revigorante e simples passeio de bicicleta

Também vem mesmo a calhar. 

Não temas a seca aberta, porque...

É VERÃO!

Com o que vais sonhar?

 

 

30
Abr18

Obras de Arte Vivas

Olavo Rodrigues

Desde o início dos tempos

Que a humanidade usa o seu potencial 

Para criar rios de sentimentos

Através da palavra imortal.

 

Tantas são as línguas que fluem 

Nas almas imperfeitas dos mortais.

Umas sobrevivem e outras ruem,

Mas sempre surgem outras que tais.

 

No seio da inovação estão as obras de arte vivas,

Não estão na cabeça, mas sim no coração.

São hiperactivas e sempre se tornam numa nova canção.

 

Oxalá pudesse sabê-las todas de cor,

Assim nunca me cansaria de me reinventar.

Não haveria como me entediar,

Porque alcançaria um Eu bem maior.

 

Uma língua é filha da sua gente

Cheia de criatividade sem freio.

Um oceano que nunca se explora o suficiente

Nem sequer até ao meio.

Uma língua é uma nova paisagem que deslumbra o olhar,

O mundo fica diferente só de a sabermos falar.

 

Somos cidadãos do mundo

E as nossas línguas são de quem as amar

Chegou o tempo de partilhar

Para a diversidade não ir ao fundo.

 

Este é um ciclo sem fim

E eu vou diversificá-lo

Ao dar-lhe uma prenda feita por mim. 

 

É mais uma para a colecção,

Que talvez gere mais trabalho complicado.

Ser poliglota não é um êxito dado,

Mas faz tudo parte da diversão

Mesmo que, após a interiorização,

Ainda se fique um pouco baralhado. 

 

O meu amor pelas palavras não acaba na literatura.

Estará sempre presente onde o dom da linguagem perdura. 

 

25
Fev18

Sem Âncora

Olavo Rodrigues

Na linha do conhecimento só há espaço para curvas,

Que se tornam turvas na avalanche de informação

E enquanto isso, eu aprendo sem querer ter razão.

 

Eu não me conheço, pois para os pensamentos, 

Não há casa fixa em mim.

Sempre me altero à medida que me aproximo do fim

Num ritmo mutável e nada lento. 

 

Eu sou vários através do tempo!

Que bom não haver constância em mim.

 

23
Jan18

O Estranho Observador

Olavo Rodrigues

Estou eu a olhar-me no espelho,
A ver-me como se não fosse eu,
O tipo mais estranho de quem recebo o conselho,
Que não está seguro do que he seu.

 

Parece egocentrico o observador fixado,
Mas só porque nunca se sente authentico,
Pois não vê mais que um Eu ficcionado.

 

Como he estranho e interessante ver-me como um tu.
Certamente, de onde aquelle veio, haverá sempre mais que um.
Nunca he o mesmo tipo com quem me encontro.
Todos os dias há um novo, cada vez mais distincto do outro.

 

He um comportamento narcisista este, que não pára.
Como he fascinante o desconhecimento desta ave rara.
He tão simples assim!
A analyse do tipo que não cessa de olhar para mim.

22
Jan18

A Lei do Retorno

Olavo Rodrigues

Na dança constante do bem e do mal,
Tu decides o que te beneficia
E o que he para ti letal.

 

Parece utopico ou talvez absurdo,
Mas a vida corre-te mal, porque és surdo.
Sem te aperceberes de como traças o teu rumo,
Dás varios passos, todos elles com pés de chumbo.

 

Tu podes criar a tua realidade,
O que vai, vem,
Seja amor ou maldade.

 

Attenta nos teus parceiros de dança
E também na choreographia,
Acredites ou não, o que o teu juízo lança
He o teu reflexo, que sempre te desafia.

 

Quando muda a tua percepção,
Muda a criação.
As pessôas e o que te acontece,
A aprendizagem traz coisas bôas
E o resultado da teimosia toda a gente conhece.

 

Dá aos passos a tua synchronização,
He tão simples e complicado criar este equilibrio,
Que pede a tua mão.

 

Nunca penses que te livras das setas,
Pois á tua frente haverá sempre novas metas.

20
Jan18

Porque Escrevo?

Olavo Rodrigues

Porque escrevo?
Não lhe reconheço razão exacta,
Porque se não o fizer, não vale a pena ser na Terra
Nem em lado nenhum.

 

Sei que preciso tanto de escrever como de existir.
Qualquer outra criatura tem cinco sentidos para desenvolver
E o escriptor tem o sexto na ponta da caneta.

 

Tactear com as palavras é passar para um estado metaphysico,
Sem forma para se formar o que se quer.
Os pensamentos e as emoções saem do corpo terrestre
Para animarem outro no universo do outro lado do espelho,
Que tudo tem igual ao d'este, mas com muito mais intensidade.

 

Escrever é fallar sem ser interrompido,
É uma forma de estar sozinho,
É meditação e tansformação.
Não havendo desertos em branco para preencher,
Não é possível mais caminhos percorrer.
Um escriptor sem palavras é uma ave sem asas.

19
Jan18

Criatividade em Curto-Circuito

Olavo Rodrigues

Esta vontade sedenta de querer produzir
Me sai dos poros e me rebenta
Por aquillo que também não quero construir.
Assim ando pela poeira, que nunca assenta,
Não vendo, não me mexendo,
Não vivendo activo como gostaria e, congelado,
Quase caio na apathia.

 

No mesmo terreno um diz que sim e outro diz que não
E eu só oiço ruído sem direito a uma canção.
Não os entendo e entre elles há ainda menos consenso.
Passo, então, o dia tenso, cheio de frustração.
Fica a machina estacionada e fria
Á espera da proxima jornada,
Que, vazia, talvez também veja desperdiçada.

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