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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

30/04/18

Obras de Arte Vivas

por Olavo Rodrigues

Desde o início dos tempos

Que a humanidade usa o seu potencial 

Para criar rios de sentimentos

Através da palavra imortal.

 

Tantas são as línguas que fluem 

Nas almas imperfeitas dos mortais.

Umas sobrevivem e outras ruem,

Mas sempre surgem outras que tais.

 

No seio da inovação estão as obras de arte vivas,

Não estão na cabeça, mas sim no coração.

São hiperactivas e sempre se tornam numa nova canção.

 

Oxalá pudesse sabê-las todas de cor,

Assim nunca me cansaria de me reinventar.

Não haveria como me entediar,

Porque alcançaria um Eu bem maior.

 

Uma língua é filha da sua gente

Cheia de criatividade sem freio.

Um oceano que nunca se explora o suficiente

Nem sequer até ao meio.

Uma língua é uma nova paisagem que deslumbra o olhar,

O mundo fica diferente só de a sabermos falar.

 

Somos cidadãos do mundo

E as nossas línguas são de quem as amar

Chegou o tempo de partilhar

Para a diversidade não ir ao fundo.

 

Este é um ciclo sem fim

E vou diversificá-lo

Ao dar-lhe uma prenda feita por mim. 

 

É mais uma para a colecção,

Que talvez gere mais trabalho complicado.

Ser poliglota não é um êxito dado,

Mas faz tudo parte da diversão

Mesmo que, após a interiorização,

Ainda se fique baralhado. 

 

O meu amor pelas palavras não acaba na literatura.

Estará sempre presente onde o dom da linguagem perdura. 

 

25/02/18

Sem Âncora

por Olavo Rodrigues

Na linha do conhecimento só há espaço para curvas,

Que se tornam turvas na avalanche de informação

E enquanto isso, eu aprendo sem querer ter razão.

 

Eu não me conheço, pois para os pensamentos, 

Não há casa fixa em mim.

Sempre me altero à medida que me aproximo do fim

Num ritmo mutável e nada lento. 

 

Eu sou vários através do tempo!

Que bom não haver constância em mim.

 

23/01/18

O Estranho Observador

por Olavo Rodrigues

Estou eu a olhar-me no espelho,
A ver-me como se não fosse eu,
O tipo mais estranho de quem recebo o conselho,
Que não está seguro do que he seu.

 

Parece egocentrico o observador fixado,
Mas só porque nunca se sente authentico,
Pois não vê mais que um Eu ficcionado.

 

Como he estranho e interessante ver-me como um tu.
Certamente, de onde aquelle veio, haverá sempre mais que um.
Nunca he o mesmo tipo com quem me encontro.
Todos os dias há um novo, cada vez mais distincto do outro.

 

He um comportamento narcisista este, que não pára.
Como he fascinante o desconhecimento desta ave rara.
He tão simples assim!
A analyse do tipo que não cessa de olhar para mim.

22/01/18

A Lei do Retorno

por Olavo Rodrigues

Na dança constante do bem e do mal,
Tu decides o que te beneficia
E o que he para ti letal.

 

Parece utopico ou talvez absurdo,
Mas a vida corre-te mal, porque és surdo.
Sem te aperceberes de como traças o teu rumo,
Dás varios passos, todos elles com pés de chumbo.

 

Tu podes criar a tua realidade,
O que vai, vem,
Seja amor ou maldade.

 

Attenta nos teus parceiros de dança
E também na choreographia,
Acredites ou não, o que o teu juízo lança
He o teu reflexo, que sempre te desafia.

 

Quando muda a tua percepção,
Muda a criação.
As pessôas e o que te acontece,
A aprendizagem traz coisas bôas
E o resultado da teimosia toda a gente conhece.

 

Dá aos passos a tua synchronização,
He tão simples e complicado criar este equilibrio,
Que pede a tua mão.

 

Nunca penses que te livras das setas,
Pois á tua frente haverá sempre novas metas.

20/01/18

Porque Escrevo?

por Olavo Rodrigues

Porque escrevo?
Não lhe reconheço razão exacta,
Porque se não o fizer, não vale a pena ser na Terra
Nem em lado nenhum.

 

Sei que preciso tanto de escrever como de existir.
Qualquer outra criatura tem cinco sentidos para desenvolver
E o escriptor tem o sexto na ponta da caneta.

 

Tactear com as palavras é passar para um estado metaphysico,
Sem forma para se formar o que se quer.
Os pensamentos e as emoções saem do corpo terrestre
Para animarem outro no universo do outro lado do espelho,
Que tudo tem igual ao d'este, mas com muito mais intensidade.

 

Escrever é fallar sem ser interrompido,
É uma forma de estar sozinho,
É meditação e tansformação.
Não havendo desertos em branco para preencher,
Não é possível mais caminhos percorrer.
Um escriptor sem palavras é uma ave sem asas.

19/01/18

Criatividade em Curto-Circuito

por Olavo Rodrigues

Esta vontade sedenta de querer produzir
Me sai dos poros e me rebenta
Por aquillo que também não quero construir.
Assim ando pela poeira, que nunca assenta,
Não vendo, não me mexendo,
Não vivendo activo como gostaria e, congelado,
Quase caio na apathia.

 

No mesmo terreno um diz que sim e outro diz que não
E eu só oiço ruído sem direito a uma canção.
Não os entendo e entre elles há ainda menos consenso.
Passo, então, o dia tenso, cheio de frustração.
Fica a machina estacionada e fria
Á espera da proxima jornada,
Que, vazia, talvez também veja desperdiçada.

04/03/17

História sem Palavras

por Olavo Rodrigues

Não precisando do peso ancorado de pensar,

Apanho a leveza instantânea do sentir, 

Que é pura e amorfa, 

Sempre pronta a contar a verdade de mentir. 

 

A história sem palavras é a que veio para vingar, 

Partilha a imaginação de igual maneira

Sem obrigar o receptor, faminto de brincadeira, 

A aceitar a verdade do contador. 

 

As palavras aqui não importam, 

Estragam o sabor com a sua arrogância de saber,

Assim, o deserto branco murcha

Sem desfrutar do que é viver. 

 

Ora viva, bloguistas! Dedico este poema a uma música de infância que traz com ela todo um rolo de memórias. Ao contrário das minhas preferências habituais, esta não tem uma única palavra, mas a melodia revela toda a poeticidade desejada. É uma combinação perfeita de alegria, tristeza e calma - quase a mistura completa dos ingredientes que compõem as vidas de cada um - e é exactamente assim que eu a encaro: como o resumo de uma vida. 

Encontrei-a há muitos anos num videojogo multijogador de nome RuneScape. A música em questão chama-se "Newbie Melody" e fazia (ou faz, não tenho a certeza) parte do grupo de melodias que iam passando para dar ambiente. No entanto, eu sempre senti muito mais que isso em relação a esta música em particular.

Tentarei não abusar das palavras, pois como já referi acima, creio que causam um efeito prejudicial neste caso. É como se a narrativa começasse com uma personagem bastante cansada, mas ao mesmo tempo com uma calma invejável, uma vez que sabe perfeitamente que as lutas exaustivas são essenciais ao crescimento pessoal. A meio, o ritmo muda para um registo mais mexido, indicando uma fase boa que subsistituiu a má anterior, contudo, entretanto, o/a protagonista cai abruptamente outra vez e o ciclo recomeça. 

A música termina de uma maneira relaxante como se o/a herói/ína estivesse a ver as últimas réstias de luz e fechasse por fim os olhos com uma paz interior abundante e a sensação gratificante de um dever cumprido. 

No fundo, é perfeitamente aplicável ao conceito de ser novo no jogo: muito para descobrir, muito bicho para enfrentar, progredir e algumas surpresas desagradáveis como morrer e ressuscitar sem nenhum dos itens caríssimos que tanto custaram obter.  

Gostei muito de saborear uma nova experiência musical apesar de só ter começado a dar-lhe tanto valor uns bons dez anos depois da minha primeira personagem do RuneScape. 

Se estiverem interessados, por favor, deixem a vossa interpretação nos comentários. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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