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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

04/07/18

Ocorreu-Me Hoje Que... (10)

por Olavo Rodrigues

Um dia... nem que fosse apenas por um dia, seria óptimo se pudéssemos viver como nas histórias de comédia e/ou de fantasia.
Por um dia tínhamos um mundo como o da Disney. Só para descontrair. Uma festa oficial como o Natal ou assim...

Tempo para cantar espontaneamente se o quiséssemos como acontece nos filmes ou, para nos disfarçarmos do que desejássemos, qual celebração de Carnaval. Esta seria a altura de ir disfarçado para o trabalho e de usar a imaginação com todo o seu potencial e esplendor. 

Um dia que, por fim, permitiria aos adultos esquecerem-se de que cresceram. De serem aquilo em que sempre sonharam tornar-se. 

 

 

 

 

 

 

 

 

04/12/17

Textos do Campeonato de Escrita Criativa (4) 2

por Olavo Rodrigues

8

Apetece-me​ ​dizer-te​ ​que​ ​não​ ​quero​ ​dizer​ ​nada.​ ​Ou​ ​melhor:​ ​que​ ​não​ ​quero​ ​dizer​ ​nada útil.​ ​À​ ​conta​ ​desta​ ​preguiça,​ ​já​ ​enchi​ ​duas​ ​linhas​ ​com​ ​palha,​ ​portanto,​ ​agora​ ​faltam…  esquece,​ ​também​ ​não​ ​me​ ​apetece​ ​fazer​ ​contas. 

Que​ ​importam​ ​os​ ​pormenores?​ ​Tudo!​ ​Ou​ ​nada​ ​se​ ​for​ ​isso​ ​que​ ​desejas,​ ​no​ ​entanto,​ ​o  nada​ ​pode​ ​ser​ ​o​ ​maravilhoso​ ​tudo​ ​de​ ​um​ ​momento​ ​se​ ​sentirmos​ ​como​ ​é​ ​saboroso, às​ ​vezes​, ​não​ ​cumprir​ ​uma​ ​obrigação. Eu​ ​podia​ ​(devia)​ ​estar​ ​a​ ​estudar​ ​feito​ ​eremita​ ​como​ ​sempre,​ ​mas,​ ​ao​ ​invés​ ​disso, estou​ ​a​ ​adiar​ ​a​ ​morte​ ​ao​ ​socializar​ ​contigo.​ ​O​ ​isolamento​ ​extremo​ ​mata,​ ​sabias? Outro​ ​pormenor​ ​que​ ​talvez​ ​não​ ​seja​ ​importante.​ ​Não​ ​sei,​ ​diz-me​ ​tu. 

Eu​ ​podia​ ​(devia)​ ​estar​ ​a​ ​trabalhar,​ ​porque​ ​as​ ​propinas​ ​não​ ​aparecem​ ​simplesmente  pagas,​ ​porém,​ ​em​ ​vez​ ​disso,​ ​estou​ ​a​ ​desenvolver​ ​a​ ​minha​ ​criatividade.​ Tenho​ ​tempo para​ ​me​ ​agarrar​ ​à​ ​crítica​ ​de​ ​clássicos​ ​literários.​ ​Se​ ​tudo​ ​correr​ ​bem,​ ​pelo​ ​menos,​ ​até ao​ ​fim​ ​da​ ​licenciatura. Decidi​ ​experimentar​ ​uma​ ​nova​ ​paixão,​ ​pois,​ ​afinal,​ ​ninguém​ ​vive​ ​apenas​ ​de​ ​uma.​ ​Por muito​ ​que​ ​adore​ ​escrever​ ​crónicas,​ ​não​ ​faz​ ​sentido​ ​dar​ ​uma​ ​prioridade​ ​constante​ ​às tarefas​ ​quotidianas,​ ​que​ ​nos​ ​oferecem​ ​inúmeras​ ​oportunidades​ ​de​ ​as​ ​cumprirmos. 

Como​ ​está​ ​o​ ​tempo​ ​aí?​ ​Disseram-me​ ​que​ ​um​ ​maluco​ ​avariou​ ​o​ ​portal​ ​temporal​ ​e que​ ​se​ ​misturaram​ ​muitas​ ​épocas​ ​de​ ​repente.​ ​Sim,​ ​quero​ ​falar​ ​do​ ​tempo.​ ​Nem​ ​todas as​ ​conversas​ ​têm​ ​de​ ​ser​ ​profundamente​ ​filosóficas,​ os​ ​pequenos​ ​tópicos​ ​também são​ ​importantes.​ ​Este​ ​aborda​ ​a​ ​saúde,​ por​ ​exemplo.​ ​Não​ ​creio​ ​que​ ​um​ ​dinossauro​ ​a perseguir-nos​ ​faça​ ​bem​ ​ao​ ​coração.  

Já​ ​reparaste​ ​no​ ​óptimo​ ​desempenho​ ​dos​ ​esquilos​ ​magentas​ ​que​ ​surfam​ ​em  alguidares​ ​de​ ​gemada?​ ​Fluem​ ​na​ ​doce​ ​sobremesa​ ​com​ ​a​ ​mesma​ ​doce​ ​facilidade  que,​ ​como​ ​vês,​ ​qualquer​ ​tema​ ​arranja​ ​uma​ ​língua​ ​comprida.​ ​Basta​ ​querer.​ ​Aliás,​ ​eu  enchi​ ​um​ ​parágrafo​ ​inteiro​ ​de​ ​palha​ ​da​ ​mais​ ​rasca​ ​qualidade​ ​magnífica. Isto​ ​faz​ ​sentido?​ ​Não​ ​sei,​ ​diz-me​ ​tu.

 

Encontrem os outros textos no blogue É Contar e Encantar.   

05/11/17

Eu Nunca/Eu Já - Desafio

por Olavo Rodrigues

Ora viva, bloguistas! Caramba, o meu editor de textos já estava cheio de pó e de teias de aranha! É, então, hora de reaquecer o motor e de o blogue estrear o mês de Novembro com um novo desafio. Devo esta honra ao Bruno, o autor do blogue O Fumo do meu cigarro, que me nomeou para partilhar o que Eu Nunca/Eu Já fiz. 

O desafio tem algumas regras. Ei-las:

1) Responder a todas as questões com eu nunca ou eu já.

2) A última pergunta deve ser respondida somente com sim ou não.

3) Colocar a imagem do desafio.

4) Referir quem vos nomeou.

5) Passar o desafio a, pelo menos, quatro pessoas.

(Eu, pessoalmente, vou considerar esta norma facultativa, pois embora o seu objectivo seja dar continuidade a esta brincadeira, eu prefiro deixá-la em aberto a quem quer que leia as minhas respostas e queira fazer uma versão sua. Parece-me mais giro e variado assim).  

 

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1 - Eu já fiz uma interrail: 

Eu nunca, mas não posso morrer sem o fazer. É um sonho tornado realidade para qualquer amante de línguas e culturas. Hei-de o adicionar à minha lista de objectivos.

 

2 - Eu já participei num concurso:

Eu já e, aliás, ainda está a decorrer. Decidi experimentar participar no 37º Campeonato de Escrita Criativa organizado por Pedro Chagas Freitas, o qual tem sido óptimo para puxar pela minha criatividade e conhecer melhor os meus limites no que diz respeito à obtenção de ideias, à gestão de tempo e à capacidade de adaptação, dado que só tenho direito a trezentas palavras por texto, sendo essa restrição muito penosa para mim, porque adoro escrever ao quilómetro. Obedecer ao tema também se revela difícil de vez em quando. 

 

3 - Eu já conheci a pessoa que mais admiro:

Eu adoraria saber responder apenas com o que me foi pedido, mas não consigo. É uma questão demasiado abstracta, pois, na minha óptica, é impossível escolher uma definição exacta para condizer com a pessoa que mais admiro. 

Eu só tenho vinte anos, pelo que ainda me restam dezenas de pessoas com quem me cruzar. E porque é que só pode ser uma? Além disso, há que ter em conta o facto de que cada ser humano tem tanto de bom como de mau, o que me leva a admirar os meus entes queridos por razões que diferem de uns para os outros. 

 

4 - Eu já caí na rua:

Eu já, algumas vezes, especialmente, de bicicleta. Eu sou um pouco desastrado por natureza, portanto, eu normalmente não caio, eu faço cair. 

 

5 - Eu já desmaiei:

Eu já, quando era mesmo muito pequeno, aliás, ainda nem sequer tinha entrado para a escola, creio. Não me recordo do objecto com que colidi, porém, sei que aconteceu porque, a minha mãe, a brincar, me deu um pontapé que supostamente devia ter-me acertado no rabo, mas que, de alguma maneira, acabou por me projectar contra qualquer coisa e, no instante a seguir, o mundo foi substituído por uma escuridão que surgiu muito levemente, como se tivesse sido anestesiado. 

 

6 - Eu já estive em coma alcoólico:

Eu nunca. Ah, não! Nem pensar nisso é bom. A moderação merece a mesma preocupação que levar o telemóvel, a carteira e as chaves. 

 

7 - Eu já experimentei drogas:

Eu nunca. Não me despertam a mínima curiosidade.

 

8 - Eu já me vinguei de alguém: 

Eu nunca.

 

9 - Eu já tive um acidente:

Eu já, mas não foi muito grave, pois, felizmente, ninguém se magoou. Uma vez fui com os meus avós visitar uns amigos deles ao Norte e o meu avô pediu o carro emprestado ao meu pai, no entanto, o problema era que não tinha muita experiência com carros, de maneira que, no regresso, bateu num poste, amolgando o capô e estragando o motor do veículo. 

 

10 - Eu já andei de avião: 

Eu já e é o meio de transporte mais fixe de sempre! Ou, pelo menos, da actualidade. Fico particularmente fascinado quando as nuvens parecem montes de algodão gigantes, dão uma vontade imensa e, quase irreprimível, de sair do avião a voar para as abraçar. Os únicos limites que acrescentam o quase são os factos de as janelas dos aviões não se abrirem, de não ser possível voar fora de um veículo preparado para tal e de as temperaturas no céu serem demasiado baixas para que qualquer humano sobreviva. 

A grande desvantagem de viajar neste magnífico meio de transporte é que se não tivermos ninguém com quem conversar, a viagem torna-se bastante entediante. 

 

11 - Eu já bebi demasiado:

Eu nunca nem pretendo que alguma vez suceda. 

 

12 - Eu já confundi uma pessoa com outra:

Eu já. Para mal dos meus pecados, acontece-me com muita frequência. Não só confundo pessoas, como também me esqueço delas, ou, melhor, não as reconheço. Eu sou óptimo a aprender nomes, mas péssimo a memorizar características físicas. Se eu só tiver visto a pessoa uma vez ou se só a encontrar esporadicamente e não tiver muito contacto com ela, então, acabará, certamente, por não assentar bem na minha memória. 

Contudo, tudo se torna mais fácil se eu souber o seu nome e a inserir num contexto, mas o primeiro é obrigatório, dado que às vezes não vou lá só pelo contexto... e também ajuda se o nome não for extremamente comum como aqueles que se encontram em cada esquina: João, Joana, Miguel, Patrícia, entre outros. Sim, eu sou mesmo bastante mau nisto, mas, à partida, conhecer a denominação do indivíduo (ou indivídua) é a melhor pista para mim. 

Outro inconveniente que ocorre é eu lembrar-me de como a pessoa se chama e de um contexto em que a tenha visto, mas não me recordar do seu aspecto, pelo que, de quando em vez, também preciso de uma descrição. 

É um dos defeitos de que menos gosto em mim, porque causa situações embaraçosas.

 

13 - Eu já me perdi numa cidade/num país estrangeiro:

Eu nunca, porque estive sempre acompanhado, mas não duvido de que me aconteça caso me apanhe sozinho nalguma ocasião. O meu sentido de orientação geográfica não é propriamente o melhor... 

 

14 - Eu já tive uma experiência paranormal:

Eu nunca.

 

15 - Eu já roubei: 

Não me orgulho nada de dizer isto, mas sim, eu já. Uma vez apenas quando era muito mais novo, no entanto, no preciso momento em que engoli aquele cubinho de fruta, senti-me a pior pessoa do mundo e jurei a mim mesmo que nunca na vida voltaria a fazer algo tão horrível. Eu tê-lo-ia logo devolvido com o maior gosto, porém, o problema era ser comida...

 Até o sabor do doce ficou diferente. Não há dúvida de que a pior castigadora é a nossa consciência. Eu que o diga, pois custou-me imenso escrever estas linhas...

 

16 - Eu já apaguei uma publicação do Facebook por ter poucos gostos:

Eu nunca. 

:

17 - Eu já traí alguém:

Eu nunca.

 

18 - Eu já disse que ia deixar de falar com alguém que me magoou, mas não o fiz:

Eu nunca ameacei ninguém de que ia deixar de lhe falar. 

 

19 - Respondi com sinceridade a todos os pontos: 

Sim. 

14/09/17

Um Ano Roubado, um Tesouro Encontrado (2)

por Olavo Rodrigues

(...)

Pretendíamos incluir um vídeo a simular um telejornal, mas se há coisa com a qual nenhum de nós se entende muito bem é a informática, pelo que, para nossa desilusão, tivemos de representar os jornalistas fisicamente. Ao contrário do que aconteceu nas peças anteriores, houve um entrave na fluidez, visto que não tínhamos memorizado bem uma das partes do guião. Felizmente, a nossa professora era compreensiva, impedindo assim que esse deslize nos afectasse. 

Desta vez tivemos relativamente pouco tempo para ensaiar, o que se relacionou com a combinação de diversos factores: a extensão do guião, dado que a terceira peça era significativamente mais curta que as outras; a concepção da peruca, a gravação do vídeo que nunca chegámos a mostrar e, por último, mas não menos importante - foi, aliás, na minha opinião, um impeditivo espectacular - a minha ida a Itália. 

Ofereceram-me a oportunidade magnífica e inesquecível de visitar Itália com todas as despesas pesadas pagas. Tudo o que tive de fazer foi participar num concurso de contos/poesia/fotografia. Podia escolher todas as categorias, contudo, optei por apostar apenas na poesia. Enviei dois poemas via internet e, alguns meses depois, recebi a maravilhosa notícia de que podia ir a Itália para, possivelmente, receber um prémio. 

Quando me inscrevi, pensei que me fossem comunicar os resultados por correio electrónico, portanto, assim que soube a aventura que me esperava, fiquei uns dez minutos a saltar pela casa. Parti com as viagens de avião, a comida e o alojamento assegurados. A única parte que não cabia à organização do projecto Marco & Alberto Ippolito pagar era a deslocação até ao país hospedeiro. 

Eu bebi cada momento como se fosse o último. Para quem adora a diversidade cultural e linguística de paixão como eu, estar reunido na mesma mesa com pessoas de tantas nacionalidades diferentes - sim, porque o organizador não queria que houvesse muitas pessoas da mesma nação sentadas juntas - é fenomenal, é soberbo, foi perceber um troço da minha pequenez em paralelo com o meu enorme fascínio que nunca pára de crescer. 

Na mesma mesa ouviam-se quatro ou cinco idiomas diferentes: alemão, sueco, italiano, grego, português, entre outros. 

Adorei conhecer tantas pessoas interessantes com algumas das quais fiz amizade. Éramos parecidos em diversos aspectos, facto que permitiu uma sensação de união e uma convivência constantemente alegre e fluída. Quase todos eles eram pacatos e transmitiam imensa tranquilidade, como se não fosse a primeira vez que nos encontrávamos. A acrescentar a isto, tínhamos sempre a agenda preenchida com actividades, o que reforçou o nosso convívio e fez com que, provalvelmente, tenha sido a semana em que menos dormi até agora. 

A única pessoa com quem ainda mantenho um contacto razoavelmente frequente é o meu ex-colega de quarto alemão. Em todos os quartos havia três pessoas de nacionalidades diferentes de modo a promover a aprendizagem e a partilha cultural. No meu estavam agrupados um português, um italiano e um alemão. 

Seria óptimo se os cerca de quarenta participantes se reunissem de novo, visto que teria adorado desenvolver algumas das amizades que criei. Já pensámos em fazê-lo ao ir mudando de país hospedeiro, mas claro, há entraves de tempo e de dinheiro. Creio que teríamos dado uma excelente «turma», caso tivéssemos tido uma oportunidade de interagir mais duradoura, contudo, tal não seria possível durante um período muito longo, pois convém não esquecer que não éramos nós que tratávamos das despesas. 

Enfim, passada uma semana deliciosamente relaxante, regressei a Portugal de coração cheio, com a imaginação em brasa e, como bónus, com um pequeno prémio. Era altura de voltar aos ensaios... o actor dentro de mim estava em pulgas! Para nosso espanto, obtivemos uma nota igual à da peça anterior. Pensámos que havíamos descido devido à menor qualidade da representação e, consequentemente, do uso da língua inglesa. 

Para mal dos pecados de todos os finalistas, por muito que desejassem, ainda não era tempo de descansar, porque a época de exames havia chegado. Os nervos vieram-me à flor da pele, no entanto, iam sendo alternadamente vencidos pela determinação. Recusava-me veemente a perder o rodeo outra vez e nada me tirava da cabeça que havia de agarrar o touro pelos cornos e ingressar, por fim, no Ensino Superior... pronto, não era 100% assim, pois eu sentia-me bem intimidado. 

Começaram a surgir-me na cabeça aquelas armadilhas que a mente humana tanto gosta de preparar: e se eu não conseguir? Eu já falhei uma vez e nada me garante que não voltará a acontecer. As minhas notas a Português neste ano pioraram bastante. Tive de me mentalizar de que precisava de encontrar A Força, dado que tinha o curso de Tradução na mira. Como nenhum comboio espera, obriguei-me a garantir o meu lugar... e consegui. 

No ano lectivo de 2014/2015 tinha começado bem e acabado mal, mas no de 2015/2016 havia começado mal e acabado bem, o que prova que o esforço vale sem dúvida a pena e que qualquer sonho é possível. Aproveitei também para fazer o exame de Inglês, tendo em conta que o de História do outro ano havia sido catastrófico. Também me saí relativamente bem neste, o que, somado a tudo o resto dos dois anos, me permitiu subir satisfatoriamente a minha média baixa. Logrei ultrapassar o último aluno de Tradução aceite no ano anterior, feito que não teria alcançado, caso não tivesse agarrado no enorme leque de possibilidades que esta segunda oportunidade me proporcionou. 

A cada novo acontecimento, eu recolhia outra cor para o meu crescimento pessoal e aumentava a diversidade de prismas através dos quais contemplava a vida. Da mesma forma que fui mais bem preparado para a faculdade, foi também graças ao 13º ano que pude divertir-me e desafiar-me como nunca ao lado de um dos meus melhores amigos; se tivesse despachado logo o Secundário, não teria ido a Itália, que sempre tinha sonhado visitar. Isto entre outras aventuras incríveis! 

Todo este texto é um relato da minha experiência no ano lectivo de 2015/2016, desde os episódios aparentemente mais insignificante aos sucedidos mais marcantes. Eu fiz questão de registar tudo, pois posso vir a precisar de me inspirar novamente um dia.

tu! Sim, tu, jovem leitor/a, que também se farta de andar às aranhas, este texto também é para ti. Eu sei que as minhas experiências não te dizem muito, porém, estou a partilhá-las contigo para te mostrar que podes mudar a tua vida e a forma como encaras essa coisa chata, que é a rotina. Além disso, a seca piora quando temos de fazer algo de que não gostamos ou detestamos mesmo, e que nem sequer escolhemos fazer, como é o caso de frequentarmos a escola. Contudo, embora estejas certo/a ao dizer que não te identificas com o que te ensinam ou que aquilo te dá vontade de adormecer, a verdade é que, enquanto a nossa geração não tomar as rédeas do mundo, não podemos mudar tantas coisas quanto desejaríamos. 

Eu acredito que uma revolução já está a despertar em diversos aspectos da sociedade, mas os seus agentes ainda são relativamente verdes para pôr qualquer ideia dessa dimensão em prática. Assim sendo, o melhor a fazer é ir mostrando aos poucos a vontade de mudar. Algo simples como uma peça de teatro, por exemplo, ou sugerir eventos à Associação de Estudantes. Usar a tua criatividade diariamente para pequenas coisas ou simplesmente admirar o que te rodeia. Irás sempre descobrir algo em que nunca tinhas reparado. 

A infinita lista de escolhas está nas tuas mãos! Serve-te da tua criatividade, que pode ser a solução para um sem-fim de problemas. Ah, mas eu não sou criativo/a. És sim. Desenvolve essa capacidade e ficarás surpreendido/a com as tuas façanhas. Há pessoas mais propensas a ter essa característica, porque ninguém é um produto de fábrica, no entanto, toda a gente a possui e tu não és, sem sombra de dúvida, uma excepção. 

Quando começaste a aprender a escrever, as letras saíam-te logo perfeitas? Quando começaste a andar de bicicleta, dominavas o teu equilíbrio em pleno? Com a criatividade, assim como tudo o resto, acontece o mesmo: primeiro obténs maus resultados, mas depois evoluis. Digo-te que é diversão na certa. Através da criatividade, mais do que um excelente passatempo, também podes descobrir a tua vocação profissional. Quem sabe? 

Se ainda não descobriste que caminho queres seguir apesar de já estares no fim do Secundário, o meu melhor conselho é: se precisares, pára um ano ou mais e experimenta! Desenha, escreve, esculpe ou, se preferires uma área mais lógica, estuda física, química, sociologia... tudo o que te ocorrer é válido, mas faz alguma coisa. Viajar também é óptimo para abrir horizontes. É, inclusive, na minha óptica, uma das melhores opções. 

Faz-te um favor e não desistas de te esforçar na escolaridade obrigatória. Porra! Olha outro a tocar o disco riscado! Eu sei, eu sei, mas lê até ao fim. Por muito secante que seja, por muita vontade que tenhas de agarrar nos teus pertences e sair porta fora do nada, não desistas nem te esforces apenas no terceiro período. Falo por experiência. 

Eu nunca fui um mau aluno, mas também não posso dizer que sou propriamente brilhante. Sempre procurei não perturbar as aulas, contudo, possuo desde que me lembro uma tendência para me distrair um pouco acentuada e, no oitavo, bem como no nono anos, deixei-me levar por isso. 

Considerava muito mais cansativa a luta interior contra abandonar a Terra do que o conteúdo das aulas em si. Assim sendo, passava grande parte do tempo a fazer bonecada nos cadernos e cheguei até a inventar um alfabeto do qual ainda detenho o registo. Houve uma fase em que eu pensava que a minha paixão era desenhar. Já tinha descoberto a escrita, porém, andava numa espécie de corda bamba e as minhas actividades predilectas oscilavam (factos que podem ler aqui). 

Durante um bom espaço de tempo, eu gostava mesmo era de desenhar. O único problema era que não tinha jeito nenhum, por isso, contentava-me maioritariamente com os tradicionais homens-palito, os chamados stick figures, enquanto ia tentanto melhorar através da visualização de vídeos na internet. Posto isto, rabiscava e às vezes lá olhava para o/a professor/a para ouvir o que ensinava, mas ter-me-ia sido útil não me entusiasmar tanto e estar 60% da aula concentrado nos desenhos ao invés do/a professor/a. 

Resultado: quando chegou a altura da derradeira prova, eu vi-me aflito, pelo que, durante as duas semanas antes dos exames, estudei exaustivamente (para o de Português) e fartei-me de pedir a Deus que me deixasse passar. Consegui-o e o meu coração suspirou de alívio quando soube, porém, o alívio podia ter-me acompanhado no exame se tivesse tido dois dedos de testa. 

Portanto, não te desleixes ou a recuperação vai sugar-te todas as forças, embora te tenhas divertido quase o ano inteiro. Como te sugeri, tenta tornar a rotina um pouco mais agradável. 

Alegra-me imenso que não tenha publicado este texto há um ano como tinha planeado, dado que, ao ir para a faculdade, mudei muito e tive a oportunidade de melhorar o conteúdo que aqui escrevi. Descobri e ultrapassei alguns limites que não julgava passíveis de vencer, conheci mais de mim mesmo e, sobretudo, aprendi que, não importa o que se faça, ter-se-á sempre chatices. Eu tinha uma ideia bastante utópica do futuro que me esperava: nunca ia apanhar secas, nunca ia fartar-me daquilo... eu devia ter pensado duas vezes antes de tirar estas conclusões. 

Há alturas em que não nos apetece ou que só pedimos aos nossos botões que o tempo acelere, não só para determinada aula acabar, mas também porque as férias podem estar perto e nós já estamos nas últimas. Com isto não quero dizer que deves rejeitar estudar na faculdade ou qualquer outra actividade que te faça feliz, mas tem em mente que vais sempre passar por maus momentos, pois são eles que te obrigam a procurar respostas para te superares a ti próprio/a. 

Aliás, já que estamos a tocar no assunto, eu recomendo vivamente que te candidates ao Ensino Superior, porque é uma vivência incrível! Conhecerás pessoas parecidíssimas contigo, estudarás o que gostas, sentindo que vale a pena aprender aquilo, acordas todos os dias mais feliz (eu cá acordo) e tudo é diferente, visto que não existe o rótulo obrigatório. 

Precisas de te esfalfar a estudar? Sim. Quase não vives para outra coisa? Sim, porém, é uma experiência que fica para a vida

Vá! Concretiza-te! De que é que estás à espera para florescer?!

 

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14/09/17

Um Ano Roubado, um Tesouro Encontrado (1)

por Olavo Rodrigues

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Uma das desfeitas mais frustrantes e ingratas da vida é ver os nossos objectivos irem por água abaixo depois de termos dado o litro. Era nisto mesmo que eu não queria acreditar em Junho de 2015 quando vi uma negativa a esfregar-me na cara que não podia ir para a faculdade. Um 9... no exame de Português... a disciplina decisiva do meu destino naquela altura. 

Eu demorei o dia inteiro a cair em mim. Como é que depois de um ano a esfalfar-me todos os dias, a insistir na determinação como se respira oxigénio e, a tirar notas relativamente boas, tinha tido o diabo de um 9?! Estava tão perto, bastava ter subido um patamar. Os meus padrões a Português nunca haviam sido muito elevados - não necessariamente negativos - mas naquele tempo esmerei-me, subindo, de forma satisfatória, a média dos testes. 

Apostei na segunda fase e correu pior ainda, pois desci um valor. Em suma, constatei que após muito esforço árduo e férias de Verão mal aproveitadas, me vi obrigado pelos meus princípios a voltar ao Secundário. Sim, porque tecnicamente, o 12º ano estava terminado, foram só o raio dos exames que me barraram. Podia perfeitamente esquecer aquilo e procurar um emprego, mas o que eu queria mesmo era ser tradutor. 

Assim sendo, respirei fundo para enfrentar a burocracia com filas intermináveis à minha espera e, finalmente, logrei pedir permissão à escola para me deixar estudar lá mais um ano. Devo admitir que, embora tentasse ser optimista e encarar a situação como mais um dos muitos desafios da vida, não conseguia fazê-lo a 100%. De certo modo, estava profundamente triste comigo próprio. 

No entanto, não podia estar mais enganado, aquilo foi tudo menos uma perda, senão um bónus que eu não teria colhido caso houvesse ido logo para a faculdade ou optado por trabalhar. O meu primeiro golpe de sorte foi o privilégio de escolher a turma na qual gostava de ser inserido. Isto veio acompanhado de frequentar as aulas de Inglês de forma a enriquecer o meu currículo, disciplina essa que ambicionava fazer desde o ano lectivo anterior. 

Quando entrei no último ano do Secundário, deram-me a escolher quatro pares de opções dos quais só podia seleccionar três: Inglês/Espanhol, Inglês/Psicologia, Geografia C/Espanhol e informática com outra coisa qualquer. Eu, como amante das línguas, escolhi, naturalmente, o primeiro conjunto, porém, aconteceu que a professora de Geografia persuadiu quase toda a gente com a aliciante proposta da Geografia C. Esta disciplina manhosa e, ao mesmo tempo, fantástica. 

Geografia C era uma disciplina pioneira na minha escola que não costumava abrir por falta de alunos. Consiste em geografia humana com um travo a História e a maneira de triunfar é pura e «simplesmente» trabalhar muito em aula, bem como brilhar nas apresentações orais, que são o elemento principal de avaliação, porque não há testes. É verdade. E com isto, claro, a professora convenceu 90% da turma. 

Eu não tinha relações completamente cortadas com o terceiro grupo, pois, de facto, havia escolhido Geografia C/Espanhol, mas como última hipótese. Ou era isso ou a informática, no entanto... sinceramente, não estava para aí virado. 

Descobrimos rapidamente que não era uma disciplina assim tão gira quanto isso. A ausência de testes obriga os critérios de avaliação a ganhar um rigor bastante maior e, portanto, a nossa professora não tolerava brincadeiras. 

Ainda assim, pouca gente quis voltar ao sistema antigo, o que foi um alívio para mim, dado que me dou muito melhor com apresentações orais. Aliás, apesar do esforço enorme que tive de investir em Geografia C - pois além de qualidade, a professora também exigia criatividade - não me arrependo nada de me ter calhado a terceira opção. Tirei uma nota de pauta que alimentou bem a ascensão da minha média. Foi também graças a Geografia C que concebi trabalhos que ainda guardo como recordações, mas isso são outros quinhentos. Regressemos ao que interessa. 

Com o Inglês às costas, não só consegui a oportunidade de fazer as duas línguas estrangeiras no 12º ano, como também fiquei na turma de uns quantos amigos que já conhecia. O único problema era que se econtrava muito cheia e, por conseguinte, muito barulhenta, no entanto, ao menos a parte da adaptação social já estava a meio caminho andado. 

É importante frisar que a única disciplina à qual ia ter notas era a do idioma anglo-saxónico, pois lembrando que tinha terminado a escolaridade obrigatória, ia às aulas de Português apenas para assistir. Tal revelou-se um grande desafio, porque eram extremamente pesadas e por muito que eu gostasse do programa, que era predominantemente literário, sentia-me incapaz de me manter concentrado. Felizmente, um dos meus melhores amigos, o David Fernandes, dava-me uma mãozinha... ou melhor, um cotovelo: acorda, pá! 

Esta fase, que eu considerava bizarra por nunca ter encontrado uma curva no meu percurso académico, começou com o pé direito quando mesmo no início das aulas surgiu o primeiro Spelling Bee da escola. Era um concurso de soletragem em inglês cuja intenção era aliviar o choque da reinserção na rotina, penso eu.

Eu inscrevi-me. Pareceu-me bastante interessante na medida em que para já, estava relacionado com palavras e depois eu não tinha Inglês há um ano, pelo que estava desejoso de participar numa actividade assim. Acabei por conquistar o segundo lugar, o que foi o máximo! Só não subi de patamar por culpa de uma letra, mas diverti-me à grande e inscrever-me-ei noutro sem dúvida se puder. 

Uma das vantagens de ter um dos meus melhores amigos como colega de turma era precisamente a de pormos a criatividade de ambos a trabalhar em conjunto. Quando a professora de Inglês anunciou o prazo de menção dos temas para a produção oral, ele e eu combinámos fazer teatro, produzindo uma peça em cada período.

Não podíamos ter tido melhor ideia,  divertimo-nos a valer! Eu, pelo menos, senti-me realizado como há muito tempo não saboreava essa emoção. Tratámos de tudo! Do guião, da representação, do plano do espaço e dos adereços.

A primeira produção foi sobre o multiculturalismo, a qual está disponibilizada no blogue É Contar e Encantar.Houve uma parte em que as personagens estavam a comer num restaurante e à falta de alimentos falsos, tivemos de usar comida real. Admito que não me orgulho inteiramente deste aspecto, contudo, não usámos grandes porções e os pratos eram de bebé, com tamanho suficiente para albergar somente uma sobremesa. Isto atiçou a curiosidade do público e o que aconteceu efectivamente na acção foi a cereja no topo do bolo. 

O resultado numérico foi prazenteiro de se ouvir, fazendo, em parte, com que o esforço tivesse valido a pena. No meu caso, até agora poucas coisas me deram tanto trabalho, mas o benefício principal destes projectos foi a sua própria natureza. Eu sempre fui um grande amante de teatro, deliro com a intensidade dos sentimentos passíveis de ser transmitidos ao vivo. É magia materializada! E o sabor torna-se ainda mais valioso quando existe um claro momento de partilha entre os actores e o público. Foi esplêndido perceber que nós os dois não éramos os únicos a viver a peça. 

A única hipótese que me concederam de estar do outro lado, tirando as peças que produzi com o meu melhor amigo, ocorreu em Março de 2015, numa oficina antes da Páscoa. Para grande pena dos participantes (incluindo a F♥ ), só durou uma semana, por isso, a minha prestação enquanto actor nunca pôde ser muito desenvolvida. Honestamente, não é algo do qual eu queira viver ou fazer com muita frequência, mas gostaria de o melhorar na mesma. 

De forma a finalizar o primeiro período em alta, conhecemos um artista fabuloso, mestre quer na música, quer no desenho. A acrescentar a isto, partilhava o nosso interesse por alguns temas e, assim sendo, a convivência não foi difícil de se fazer fluir. 

Na segunda ronda, com as memórias do Natal e do Ano Novo ainda bem frescas e a não querer ceder o espaço aos novos conhecimentos a adquirir, tínhamos, sem dúvida, de começar a pensar na nossa segunda peça. Aprendêramos da última vez que o tempo, apesar de abundante para um projecto comum, era relativamente escasso para o que nós pretendíamos. Convém também não esquecer que falávamos de teatro amador, pelo que a falta de experiência nos atrapalhava. Posto isto, principiámos o guião quando a data da apresentação ainda nem sequer estava marcada. O tema retratava um método de ensino inovador: a pedagogia Waldorf

Esta obra revelava-se mais desafiante, porque para além de ser significativamente maior, era sobretudo mais complexa. Não só pelo tema em si, que envolvia pesquisa, mas também pela estrutura do enredo. Ao contrário da peça anterior, a qual possuía apenas duas personagens, esta tinha cinco para dois actores que eram tudo menos actores. E como se não bastasse, havia a necessidade de as distinguir, portanto, todas tinham uma aparência diferente (Encontrem-na em É Contar e Encantar). 

Não nos perguntem por que raio decidimos complicar. Creio que, de certa maneira, estávamos a achar divertido «sofrer». O mais difícil para mim era debitar a tabuada do dez à velocidade da luz. Eu sei, eu sei, a do dez é para meninos, mas tenhamos em conta que eu sempre fui péssimo a Matemática e que, por esta razão, apostar numa mais arrojada àquele ritmo e com aquela pilha de nervos, seria a morte do artista. 

Conseguimos ter tudo pronto por uma unha negra, praticamente a roçar a data da nossa apresentação. Tal deveu-se a alguma falta de tempo para ensaiar, muita indecisão sobre quem interpretaria quem e também porque - é sensato admitir - nos perdíamos de vez em quando na conversa.

Porém, ao fim e ao cabo, o decorrer da peça passou a voar e, embora estivesse nervosíssimo, diverti-me mais do que da última vez graças à maior complexidade. Arrancámos à professora uma nota melhor que a outra, o que tornou a nossa criação duplamente gratificante. Há lá melhor conquista que superarmo-nos a nós mesmos? 

Como que uma recompensa pelo bom trabalho, uma ida ao teatro veio mesmo a calhar. No ano anterior a minha turma não tinha ido ver a peça Felizmente Há Luar!, porque não havia interessados suficientes, mas desta vez a oportunidade surgiu novamente e não a deixei escapar. Eu já tinha adorado ler o guião da peça, todavia, senti-la a ganhar vida foi incomparável. Actores formidáveis para uma peça com a mesma qualidade mágica. 

Seguiram-se as férias da Páscoa, que souberam a pouco (tal e qual como todas as outras férias) e atrás delas veio o temível, impiedoso e decisivo... terceiro período! (Música de suspense). 

O início do último segmento do ano lectivo presenteou-nos com um contador de histórias magnífico, do qual vou sempre manter memórias tão vivas quanto o entusiasmo imenso e contagiante com que ele se expressava. Jorge Serafim, para além de um excelente contador de histórias, é também um humorista deveras dotado, adocicando desta maneira as suas narrativas. Ele pasmou e divertiu os seus ouvintes. Melhor: ao instalar-se nos seus corações, pô-los um pouco mais contentes naquele dia. A mim deu-me energia de sobra para vários, até. 

Já o tinha visto ao vivo antes, mas admirá-lo na biblioteca da minha escola, na primeira fila foi, indubitavelmente, uma experiência sem par. Recomendo-o vivamente a quem estiver interessado. Não há como resistir ao seu castiço sotaque alentejano. 

Entretanto, o David e eu tínhamos de pôr mãos à obra para edificar a nossa terceira peça. Aproveitámos um dos temas mais abordados daquela altura: as eleições nos Estados Unidos que, por sua vez, abrangiam o racismo e a xenofobia. O enredo surgiu quase todo com bastante naturalidade, o que poupou muito tempo, todavia, o mesmo exigia uma complexidade de elaboração ainda maior do que a das outras duas. Cientes de que havíamos voltado a duplicar o nosso «sofrimento», aceitámo-lo sem hesitação. 

Esta produção em particular foi especialmente divertida, não só por ter sido a mais trabalhosa, mas também porque foi, na minha óptica, a mais cómica. Considerando que o Carnaval já há muito tinha passado, para me assemelhar ao Trump, eu tive de usar uma peruca feita de pequenos fios de lã cosidos ao que restava de um par de collants. Cortámos-lhes as pernas e obtivemos a base para o adereço. Foi um trabalho árduo particularmente para mim, que tenho défice de psicomotricidade fina, um defeito que prejudica a precisão dos movimentos. Devemos ter cosido centenas de fios, pois nunca mais acabavam, mas foi engraçado ver o resultado: não conseguimos bem uma peruca do cabelo do Trump, porém, o Bob Marley loiro serviu lindamente para o papel. O fato, a gravata e o púlpito de cartão forneciam-lhe alguma credibilidade. 

(...)

 

(Continua na próxima publicação)

28/08/17

Falhas da Língua Portuguesa (1)

por Olavo Rodrigues

Porque é que chamamos "torta" a um bolo recto? Não seria melhor chamarmos-lhe "direita"?

Torta-Cacau5.jpg

 Vejam outra falha do nosso idioma aqui.

 

Fonte da imagem: https://www.google.pt/search?hl=pt-PT&biw=1366&bih=662&tbm=isch&q=torta+enrolada&sa=X&ved=0ahUKEwi556y4tPrVAhWLK8AKHXHHCAMQhyYIJA#imgdii=b9UjewigIclkxM:&imgrc=WtIbU4Ys8KA2DM:

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