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Toca do Coelho

Uma espécie de blogue/livro/coiso com espécies de texto.

Toca do Coelho

Uma espécie de blogue/livro/coiso com espécies de texto.

04
Jul18

Ocorreu-Me Hoje Que... (10)

Olavo Rodrigues

Um dia... nem que fosse apenas por um dia, seria óptimo se pudéssemos viver como nas histórias de comédia e/ou de fantasia.
Por um dia tínhamos um mundo como o da Disney. Só para descontrair. Uma festa oficial como o Natal ou assim...

Tempo para cantar espontaneamente se o quiséssemos como acontece nos filmes ou, para nos disfarçarmos do que desejássemos, qual celebração de Carnaval. Esta seria a altura de ir disfarçado para o trabalho e de usar a imaginação com todo o seu potencial e esplendor. 

Um dia que, por fim, permitiria aos adultos esquecerem-se de que cresceram. De serem aquilo em que sempre sonharam tornar-se. 

 

 

 

 

 

 

 

 

04
Dez17

Textos do Campeonato de Escrita Criativa (4) 2

Olavo Rodrigues

8

Apetece-me​ ​dizer-te​ ​que​ ​não​ ​quero​ ​dizer​ ​nada.​ ​Ou​ ​melhor:​ ​que​ ​não​ ​quero​ ​dizer​ ​nada útil.​ ​À​ ​conta​ ​desta​ ​preguiça,​ ​já​ ​enchi​ ​duas​ ​linhas​ ​com​ ​palha,​ ​portanto,​ ​agora​ ​faltam…  esquece,​ ​também​ ​não​ ​me​ ​apetece​ ​fazer​ ​contas. 

Que​ ​importam​ ​os​ ​pormenores?​ ​Tudo!​ ​Ou​ ​nada​ ​se​ ​for​ ​isso​ ​que​ ​desejas,​ ​no​ ​entanto,​ ​o  nada​ ​pode​ ​ser​ ​o​ ​maravilhoso​ ​tudo​ ​de​ ​um​ ​momento​ ​se​ ​sentirmos​ ​como​ ​é​ ​saboroso, às​ ​vezes​, ​não​ ​cumprir​ ​uma​ ​obrigação. Eu​ ​podia​ ​(devia)​ ​estar​ ​a​ ​estudar​ ​feito​ ​eremita​ ​como​ ​sempre,​ ​mas,​ ​ao​ ​invés​ ​disso, estou​ ​a​ ​adiar​ ​a​ ​morte​ ​ao​ ​socializar​ ​contigo.​ ​O​ ​isolamento​ ​extremo​ ​mata,​ ​sabias? Outro​ ​pormenor​ ​que​ ​talvez​ ​não​ ​seja​ ​importante.​ ​Não​ ​sei,​ ​diz-me​ ​tu. 

Eu​ ​podia​ ​(devia)​ ​estar​ ​a​ ​trabalhar,​ ​porque​ ​as​ ​propinas​ ​não​ ​aparecem​ ​simplesmente  pagas,​ ​porém,​ ​em​ ​vez​ ​disso,​ ​estou​ ​a​ ​desenvolver​ ​a​ ​minha​ ​criatividade.​ Tenho​ ​tempo para​ ​me​ ​agarrar​ ​à​ ​crítica​ ​de​ ​clássicos​ ​literários.​ ​Se​ ​tudo​ ​correr​ ​bem,​ ​pelo​ ​menos,​ ​até ao​ ​fim​ ​da​ ​licenciatura. Decidi​ ​experimentar​ ​uma​ ​nova​ ​paixão,​ ​pois,​ ​afinal,​ ​ninguém​ ​vive​ ​apenas​ ​de​ ​uma.​ ​Por muito​ ​que​ ​adore​ ​escrever​ ​crónicas,​ ​não​ ​faz​ ​sentido​ ​dar​ ​uma​ ​prioridade​ ​constante​ ​às tarefas​ ​quotidianas,​ ​que​ ​nos​ ​oferecem​ ​inúmeras​ ​oportunidades​ ​de​ ​as​ ​cumprirmos. 

Como​ ​está​ ​o​ ​tempo​ ​aí?​ ​Disseram-me​ ​que​ ​um​ ​maluco​ ​avariou​ ​o​ ​portal​ ​temporal​ ​e que​ ​se​ ​misturaram​ ​muitas​ ​épocas​ ​de​ ​repente.​ ​Sim,​ ​quero​ ​falar​ ​do​ ​tempo.​ ​Nem​ ​todas as​ ​conversas​ ​têm​ ​de​ ​ser​ ​profundamente​ ​filosóficas,​ os​ ​pequenos​ ​tópicos​ ​também são​ ​importantes.​ ​Este​ ​aborda​ ​a​ ​saúde,​ por​ ​exemplo.​ ​Não​ ​creio​ ​que​ ​um​ ​dinossauro​ ​a perseguir-nos​ ​faça​ ​bem​ ​ao​ ​coração.  

Já​ ​reparaste​ ​no​ ​óptimo​ ​desempenho​ ​dos​ ​esquilos​ ​magentas​ ​que​ ​surfam​ ​em  alguidares​ ​de​ ​gemada?​ ​Fluem​ ​na​ ​doce​ ​sobremesa​ ​com​ ​a​ ​mesma​ ​doce​ ​facilidade  que,​ ​como​ ​vês,​ ​qualquer​ ​tema​ ​arranja​ ​uma​ ​língua​ ​comprida.​ ​Basta​ ​querer.​ ​Aliás,​ ​eu  enchi​ ​um​ ​parágrafo​ ​inteiro​ ​de​ ​palha​ ​da​ ​mais​ ​rasca​ ​qualidade​ ​magnífica. Isto​ ​faz​ ​sentido?​ ​Não​ ​sei,​ ​diz-me​ ​tu.

 

Encontrem os outros textos no blogue É Contar e Encantar.   

05
Nov17

Eu Nunca/Eu Já - Desafio

Olavo Rodrigues

Ora viva, bloguistas! Caramba, o meu editor de textos já estava cheio de pó e de teias de aranha! É, então, hora de reaquecer o motor e de o blogue estrear o mês de Novembro com um novo desafio. Devo esta honra ao Bruno, o autor do blogue O Fumo do meu cigarro, que me nomeou para partilhar o que Eu Nunca/Eu Já fiz. 

O desafio tem algumas regras. Ei-las:

1) Responder a todas as questões com eu nunca ou eu já.

2) A última pergunta deve ser respondida somente com sim ou não.

3) Colocar a imagem do desafio.

4) Referir quem vos nomeou.

5) Passar o desafio a, pelo menos, quatro pessoas.

(Eu, pessoalmente, vou considerar esta norma facultativa, pois embora o seu objectivo seja dar continuidade a esta brincadeira, eu prefiro deixá-la em aberto a quem quer que leia as minhas respostas e queira fazer uma versão sua. Parece-me mais giro e variado assim).  

 

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1 - Eu já fiz uma interrail: 

Eu nunca, mas não posso morrer sem o fazer. É um sonho tornado realidade para qualquer amante de línguas e culturas. Hei-de o adicionar à minha lista de objectivos.

 

2 - Eu já participei num concurso:

Eu já e, aliás, ainda está a decorrer. Decidi experimentar participar no 37º Campeonato de Escrita Criativa organizado por Pedro Chagas Freitas, o qual tem sido óptimo para puxar pela minha criatividade e conhecer melhor os meus limites no que diz respeito à obtenção de ideias, à gestão de tempo e à capacidade de adaptação, dado que só tenho direito a trezentas palavras por texto, sendo essa restrição muito penosa para mim, porque adoro escrever ao quilómetro. Obedecer ao tema também se revela difícil de vez em quando. 

 

3 - Eu já conheci a pessoa que mais admiro:

Eu adoraria saber responder apenas com o que me foi pedido, mas não consigo. É uma questão demasiado abstracta, pois, na minha óptica, é impossível escolher uma definição exacta para condizer com a pessoa que mais admiro. 

Eu só tenho vinte anos, pelo que ainda me restam dezenas de pessoas com quem me cruzar. E porque é que só pode ser uma? Além disso, há que ter em conta o facto de que cada ser humano tem tanto de bom como de mau, o que me leva a admirar os meus entes queridos por razões que diferem de uns para os outros. 

 

4 - Eu já caí na rua:

Eu já, algumas vezes, especialmente, de bicicleta. Eu sou um pouco desastrado por natureza, portanto, eu normalmente não caio, eu faço cair. 

 

5 - Eu já desmaiei:

Eu já, quando era mesmo muito pequeno, aliás, ainda nem sequer tinha entrado para a escola, creio. Não me recordo do objecto com que colidi, porém, sei que aconteceu porque, a minha mãe, a brincar, me deu um pontapé que supostamente devia ter-me acertado no rabo, mas que, de alguma maneira, acabou por me projectar contra qualquer coisa e, no instante a seguir, o mundo foi substituído por uma escuridão que surgiu muito levemente, como se tivesse sido anestesiado. 

 

6 - Eu já estive em coma alcoólico:

Eu nunca. Ah, não! Nem pensar nisso é bom. A moderação merece a mesma preocupação que levar o telemóvel, a carteira e as chaves. 

 

7 - Eu já experimentei drogas:

Eu nunca. Não me despertam a mínima curiosidade.

 

8 - Eu já me vinguei de alguém: 

Eu nunca.

 

9 - Eu já tive um acidente:

Eu já, mas não foi muito grave, pois, felizmente, ninguém se magoou. Uma vez fui com os meus avós visitar uns amigos deles ao Norte e o meu avô pediu o carro emprestado ao meu pai, no entanto, o problema era que não tinha muita experiência com carros, de maneira que, no regresso, bateu num poste, amolgando o capô e estragando o motor do veículo. 

 

10 - Eu já andei de avião: 

Eu já e é o meio de transporte mais fixe de sempre! Ou, pelo menos, da actualidade. Fico particularmente fascinado quando as nuvens parecem montes de algodão gigantes, dão uma vontade imensa e, quase irreprimível, de sair do avião a voar para as abraçar. Os únicos limites que acrescentam o quase são os factos de as janelas dos aviões não se abrirem, de não ser possível voar fora de um veículo preparado para tal e de as temperaturas no céu serem demasiado baixas para que qualquer humano sobreviva. 

A grande desvantagem de viajar neste magnífico meio de transporte é que se não tivermos ninguém com quem conversar, a viagem torna-se bastante entediante. 

 

11 - Eu já bebi demasiado:

Eu nunca nem pretendo que alguma vez suceda. 

 

12 - Eu já confundi uma pessoa com outra:

Eu já. Para mal dos meus pecados, acontece-me com muita frequência. Não só confundo pessoas, como também me esqueço delas, ou, melhor, não as reconheço. Eu sou óptimo a aprender nomes, mas péssimo a memorizar características físicas. Se eu só tiver visto a pessoa uma vez ou se só a encontrar esporadicamente e não tiver muito contacto com ela, então, acabará, certamente, por não assentar bem na minha memória. 

Contudo, tudo se torna mais fácil se eu souber o seu nome e a inserir num contexto, mas o primeiro é obrigatório, dado que às vezes não vou lá só pelo contexto... e também ajuda se o nome não for extremamente comum como aqueles que se encontram em cada esquina: João, Joana, Miguel, Patrícia, entre outros. Sim, eu sou mesmo bastante mau nisto, mas, à partida, conhecer a denominação do indivíduo (ou indivídua) é a melhor pista para mim. 

Outro inconveniente que ocorre é eu lembrar-me de como a pessoa se chama e de um contexto em que a tenha visto, mas não me recordar do seu aspecto, pelo que, de quando em vez, também preciso de uma descrição. 

É um dos defeitos de que menos gosto em mim, porque causa situações embaraçosas.

 

13 - Eu já me perdi numa cidade/num país estrangeiro:

Eu nunca, porque estive sempre acompanhado, mas não duvido de que me aconteça caso me apanhe sozinho nalguma ocasião. O meu sentido de orientação geográfica não é propriamente o melhor... 

 

14 - Eu já tive uma experiência paranormal:

Eu nunca.

 

15 - Eu já roubei: 

Não me orgulho nada de dizer isto, mas sim, eu já. Uma vez apenas quando era muito mais novo, no entanto, no preciso momento em que engoli aquele cubinho de fruta, senti-me a pior pessoa do mundo e jurei a mim mesmo que nunca na vida voltaria a fazer algo tão horrível. Eu tê-lo-ia logo devolvido com o maior gosto, porém, o problema era ser comida...

 Até o sabor do doce ficou diferente. Não há dúvida de que a pior castigadora é a nossa consciência. Eu que o diga, pois custou-me imenso escrever estas linhas...

 

16 - Eu já apaguei uma publicação do Facebook por ter poucos gostos:

Eu nunca. 

:

17 - Eu já traí alguém:

Eu nunca.

 

18 - Eu já disse que ia deixar de falar com alguém que me magoou, mas não o fiz:

Eu nunca ameacei ninguém de que ia deixar de lhe falar. 

 

19 - Respondi com sinceridade a todos os pontos: 

Sim. 

14
Set17

Um Ano Roubado, um Tesouro Encontrado (2)

Olavo Rodrigues

(...)

Pretendíamos incluir um vídeo a simular um telejornal, mas se há coisa com a qual nenhum de nós se entende muito bem é a informática, pelo que, para nossa desilusão, tivemos de representar os jornalistas fisicamente. Ao contrário do que aconteceu nas peças anteriores, houve um entrave na fluidez, visto que não tínhamos memorizado bem uma das partes do guião. Felizmente, a nossa professora era compreensiva, impedindo assim que esse deslize nos afectasse. 

Desta vez tivemos relativamente pouco tempo para ensaiar, o que se relacionou com a combinação de diversos factores: a extensão do guião, dado que a terceira peça era significativamente mais curta que as outras; a concepção da peruca, a gravação do vídeo que nunca chegámos a mostrar e, por último, mas não menos importante - foi, aliás, na minha opinião, um impeditivo espectacular - a minha ida a Itália. 

Ofereceram-me a oportunidade magnífica e inesquecível de visitar Itália com todas as despesas pesadas pagas. Tudo o que tive de fazer foi participar num concurso de contos/poesia/fotografia. Podia escolher todas as categorias, contudo, optei por apostar apenas na poesia. Enviei dois poemas via internet e, alguns meses depois, recebi a maravilhosa notícia de que podia ir a Itália para, possivelmente, receber um prémio. 

Quando me inscrevi, pensei que me fossem comunicar os resultados por correio electrónico, portanto, assim que soube a aventura que me esperava, fiquei uns dez minutos a saltar pela casa. Parti com as viagens de avião, a comida e o alojamento assegurados. A única parte que não cabia à organização do projecto Marco & Alberto Ippolito pagar era a deslocação até ao país hospedeiro. 

Eu bebi cada momento como se fosse o último. Para quem adora a diversidade cultural e linguística de paixão como eu, estar reunido na mesma mesa com pessoas de tantas nacionalidades diferentes - sim, porque o organizador não queria que houvesse muitas pessoas da mesma nação sentadas juntas - é fenomenal, é soberbo, foi perceber um troço da minha pequenez em paralelo com o meu enorme fascínio que nunca pára de crescer. 

Na mesma mesa ouviam-se quatro ou cinco idiomas diferentes: alemão, sueco, italiano, grego, português, entre outros. 

Adorei conhecer tantas pessoas interessantes com algumas das quais fiz amizade. Éramos parecidos em diversos aspectos, facto que permitiu uma sensação de união e uma convivência constantemente alegre e fluída. Quase todos eles eram pacatos e transmitiam imensa tranquilidade, como se não fosse a primeira vez que nos encontrávamos. A acrescentar a isto, tínhamos sempre a agenda preenchida com actividades, o que reforçou o nosso convívio e fez com que, provalvelmente, tenha sido a semana em que menos dormi até agora. 

A única pessoa com quem ainda mantenho um contacto razoavelmente frequente é o meu ex-colega de quarto alemão. Em todos os quartos havia três pessoas de nacionalidades diferentes de modo a promover a aprendizagem e a partilha cultural. No meu estavam agrupados um português, um italiano e um alemão. 

Seria óptimo se os cerca de quarenta participantes se reunissem de novo, visto que teria adorado desenvolver algumas das amizades que criei. Já pensámos em fazê-lo ao ir mudando de país hospedeiro, mas claro, há entraves de tempo e de dinheiro. Creio que teríamos dado uma excelente «turma», caso tivéssemos tido uma oportunidade de interagir mais duradoura, contudo, tal não seria possível durante um período muito longo, pois convém não esquecer que não éramos nós que tratávamos das despesas. 

Enfim, passada uma semana deliciosamente relaxante, regressei a Portugal de coração cheio, com a imaginação em brasa e, como bónus, com um pequeno prémio. Era altura de voltar aos ensaios... o actor dentro de mim estava em pulgas! Para nosso espanto, obtivemos uma nota igual à da peça anterior. Pensámos que havíamos descido devido à menor qualidade da representação e, consequentemente, do uso da língua inglesa. 

Para mal dos pecados de todos os finalistas, por muito que desejassem, ainda não era tempo de descansar, porque a época de exames havia chegado. Os nervos vieram-me à flor da pele, no entanto, iam sendo alternadamente vencidos pela determinação. Recusava-me veemente a perder o rodeo outra vez e nada me tirava da cabeça que havia de agarrar o touro pelos cornos e ingressar, por fim, no Ensino Superior... pronto, não era 100% assim, pois eu sentia-me bem intimidado. 

Começaram a surgir-me na cabeça aquelas armadilhas que a mente humana tanto gosta de preparar: e se eu não conseguir? Eu já falhei uma vez e nada me garante que não voltará a acontecer. As minhas notas a Português neste ano pioraram bastante. Tive de me mentalizar de que precisava de encontrar A Força, dado que tinha o curso de Tradução na mira. Como nenhum comboio espera, obriguei-me a garantir o meu lugar... e consegui. 

No ano lectivo de 2014/2015 tinha começado bem e acabado mal, mas no de 2015/2016 havia começado mal e acabado bem, o que prova que o esforço vale sem dúvida a pena e que qualquer sonho é possível. Aproveitei também para fazer o exame de Inglês, tendo em conta que o de História do outro ano havia sido catastrófico. Também me saí relativamente bem neste, o que, somado a tudo o resto dos dois anos, me permitiu subir satisfatoriamente a minha média baixa. Logrei ultrapassar o último aluno de Tradução aceite no ano anterior, feito que não teria alcançado, caso não tivesse agarrado no enorme leque de possibilidades que esta segunda oportunidade me proporcionou. 

A cada novo acontecimento, eu recolhia outra cor para o meu crescimento pessoal e aumentava a diversidade de prismas através dos quais contemplava a vida. Da mesma forma que fui mais bem preparado para a faculdade, foi também graças ao 13º ano que pude divertir-me e desafiar-me como nunca ao lado de um dos meus melhores amigos; se tivesse despachado logo o Secundário, não teria ido a Itália, que sempre tinha sonhado visitar. Isto entre outras aventuras incríveis! 

Todo este texto é um relato da minha experiência no ano lectivo de 2015/2016, desde os episódios aparentemente mais insignificante aos sucedidos mais marcantes. Eu fiz questão de registar tudo, pois posso vir a precisar de me inspirar novamente um dia.

tu! Sim, tu, jovem leitor/a, que também se farta de andar às aranhas, este texto também é para ti. Eu sei que as minhas experiências não te dizem muito, porém, estou a partilhá-las contigo para te mostrar que podes mudar a tua vida e a forma como encaras essa coisa chata, que é a rotina. Além disso, a seca piora quando temos de fazer algo de que não gostamos ou detestamos mesmo, e que nem sequer escolhemos fazer, como é o caso de frequentarmos a escola. Contudo, embora estejas certo/a ao dizer que não te identificas com o que te ensinam ou que aquilo te dá vontade de adormecer, a verdade é que, enquanto a nossa geração não tomar as rédeas do mundo, não podemos mudar tantas coisas quanto desejaríamos. 

Eu acredito que uma revolução já está a despertar em diversos aspectos da sociedade, mas os seus agentes ainda são relativamente verdes para pôr qualquer ideia dessa dimensão em prática. Assim sendo, o melhor a fazer é ir mostrando aos poucos a vontade de mudar. Algo simples como uma peça de teatro, por exemplo, ou sugerir eventos à Associação de Estudantes. Usar a tua criatividade diariamente para pequenas coisas ou simplesmente admirar o que te rodeia. Irás sempre descobrir algo em que nunca tinhas reparado. 

A infinita lista de escolhas está nas tuas mãos! Serve-te da tua criatividade, que pode ser a solução para um sem-fim de problemas. Ah, mas eu não sou criativo/a. És sim. Desenvolve essa capacidade e ficarás surpreendido/a com as tuas façanhas. Há pessoas mais propensas a ter essa característica, porque ninguém é um produto de fábrica, no entanto, toda a gente a possui e tu não és, sem sombra de dúvida, uma excepção. 

Quando começaste a aprender a escrever, as letras saíam-te logo perfeitas? Quando começaste a andar de bicicleta, dominavas o teu equilíbrio em pleno? Com a criatividade, assim como tudo o resto, acontece o mesmo: primeiro obténs maus resultados, mas depois evoluis. Digo-te que é diversão na certa. Através da criatividade, mais do que um excelente passatempo, também podes descobrir a tua vocação profissional. Quem sabe? 

Se ainda não descobriste que caminho queres seguir apesar de já estares no fim do Secundário, o meu melhor conselho é: se precisares, pára um ano ou mais e experimenta! Desenha, escreve, esculpe ou, se preferires uma área mais lógica, estuda física, química, sociologia... tudo o que te ocorrer é válido, mas faz alguma coisa. Viajar também é óptimo para abrir horizontes. É, inclusive, na minha óptica, uma das melhores opções. 

Faz-te um favor e não desistas de te esforçar na escolaridade obrigatória. Porra! Olha outro a tocar o disco riscado! Eu sei, eu sei, mas lê até ao fim. Por muito secante que seja, por muita vontade que tenhas de agarrar nos teus pertences e sair porta fora do nada, não desistas nem te esforces apenas no terceiro período. Falo por experiência. 

Eu nunca fui um mau aluno, mas também não posso dizer que sou propriamente brilhante. Sempre procurei não perturbar as aulas, contudo, possuo desde que me lembro uma tendência para me distrair um pouco acentuada e, no oitavo, bem como no nono anos, deixei-me levar por isso. 

Considerava muito mais cansativa a luta interior contra abandonar a Terra do que o conteúdo das aulas em si. Assim sendo, passava grande parte do tempo a fazer bonecada nos cadernos e cheguei até a inventar um alfabeto do qual ainda detenho o registo. Houve uma fase em que eu pensava que a minha paixão era desenhar. Já tinha descoberto a escrita, porém, andava numa espécie de corda bamba e as minhas actividades predilectas oscilavam (factos que podem ler aqui). 

Durante um bom espaço de tempo, eu gostava mesmo era de desenhar. O único problema era que não tinha jeito nenhum, por isso, contentava-me maioritariamente com os tradicionais homens-palito, os chamados stick figures, enquanto ia tentanto melhorar através da visualização de vídeos na internet. Posto isto, rabiscava e às vezes lá olhava para o/a professor/a para ouvir o que ensinava, mas ter-me-ia sido útil não me entusiasmar tanto e estar 60% da aula concentrado nos desenhos ao invés do/a professor/a. 

Resultado: quando chegou a altura da derradeira prova, eu vi-me aflito, pelo que, durante as duas semanas antes dos exames, estudei exaustivamente (para o de Português) e fartei-me de pedir a Deus que me deixasse passar. Consegui-o e o meu coração suspirou de alívio quando soube, porém, o alívio podia ter-me acompanhado no exame se tivesse tido dois dedos de testa. 

Portanto, não te desleixes ou a recuperação vai sugar-te todas as forças, embora te tenhas divertido quase o ano inteiro. Como te sugeri, tenta tornar a rotina um pouco mais agradável. 

Alegra-me imenso que não tenha publicado este texto há um ano como tinha planeado, dado que, ao ir para a faculdade, mudei muito e tive a oportunidade de melhorar o conteúdo que aqui escrevi. Descobri e ultrapassei alguns limites que não julgava passíveis de vencer, conheci mais de mim mesmo e, sobretudo, aprendi que, não importa o que se faça, ter-se-á sempre chatices. Eu tinha uma ideia bastante utópica do futuro que me esperava: nunca ia apanhar secas, nunca ia fartar-me daquilo... eu devia ter pensado duas vezes antes de tirar estas conclusões. 

Há alturas em que não nos apetece ou que só pedimos aos nossos botões que o tempo acelere, não só para determinada aula acabar, mas também porque as férias podem estar perto e nós já estamos nas últimas. Com isto não quero dizer que deves rejeitar estudar na faculdade ou qualquer outra actividade que te faça feliz, mas tem em mente que vais sempre passar por maus momentos, pois são eles que te obrigam a procurar respostas para te superares a ti próprio/a. 

Aliás, já que estamos a tocar no assunto, eu recomendo vivamente que te candidates ao Ensino Superior, porque é uma vivência incrível! Conhecerás pessoas parecidíssimas contigo, estudarás o que gostas, sentindo que vale a pena aprender aquilo, acordas todos os dias mais feliz (eu cá acordo) e tudo é diferente, visto que não existe o rótulo obrigatório. 

Precisas de te esfalfar a estudar? Sim. Quase não vives para outra coisa? Sim, porém, é uma experiência que fica para a vida

Vá! Concretiza-te! De que é que estás à espera para florescer?!

 

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