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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

04/07/18

Ocorreu-Me Hoje Que... (10)

por Olavo Rodrigues

Um dia... nem que fosse apenas por um dia, seria óptimo se pudéssemos viver como nas histórias de comédia e/ou de fantasia.
Por um dia tínhamos um mundo como o da Disney. Só para descontrair. Uma festa oficial como o Natal ou assim...

Tempo para cantar espontaneamente se o quiséssemos como acontece nos filmes ou, para nos disfarçarmos do que desejássemos, qual celebração de Carnaval. Esta seria a altura de ir disfarçado para o trabalho e de usar a imaginação com todo o seu potencial e esplendor. 

Um dia que, por fim, permitiria aos adultos esquecerem-se de que cresceram. De serem aquilo em que sempre sonharam tornar-se. 

 

 

 

 

 

 

 

 

26/03/16

Sonho Meu e de mais Alguém

por Olavo Rodrigues

Que escreves?

Uma carta, não sei para quem.

Escreve-a o melhor que sabes,

Faz a pessoa sentir-se especial como ninguém.

Podes enviá-la para quem a apanhar primeiro,

Essa alma fica assim encarregue de a espalhar pelo universo inteiro.

Qual é o destino?

 

É longe, não está nos mapas, mas sim nas estrelas.

Conto-as uma por uma, mas perco-me no brilho,

Tenho de revê-las.

Cada uma delas é uma porta com um trinco,

Que quero abrir com muito afinco.

 

Envio para lá uma carta que chegará a um sítio tão distante, 

Que já esteve tão perto. 

Peço a quem a encontre que nos salve com uma vontade incessante,

Que convença todos a realizar um acto esperto,

Assim volta a tornar-se interessante

Sonhar a limite aberto.

 

Achas que é possível?

Caminhamos cada vez mais para a apatia de boca escancarada,

Espera-nos um fim terrível e a D. Esperança zangada.

 

Relaxa, não há que temer,

O desejo é um martelo forte que se faz valer.

Portanto, mesmo em circunstâncias feias, deixo em acta,

Que o sangue do êxito me corre nas veias,

Como também a vontade de enviar a carta.

26/02/16

Livra, que É Dose! Eu que o Diga!

por Olavo Rodrigues

"Então, olha lá, gostas da escola?" - Eu costumava ouvir esta pergunta quando era pequeno como todos os miúdos. E como todos os miúdos, eu respondia com a maior sinceridade: "da escola, sim, das aulas nem por isso". Creio que não há ninguém que não conheça o desfecho desta conversa, eu pelo menos dizia que o único sítio em que não gostava de aprender era no respectivo estabelecimento.
Hoje em dia continua a ser dada a mesma resposta, à diferença de que desta vez há mais fundamento - não só porque é comum as crianças e os adolescentes não gostarem de estudar, mas também porque aparentemente, as próprias escolas já não pretendem incutir a valiosa vontade de aprender nos estudantes.
Agora o que interessa é passar nos exames.
No outro dia perguntei à minha professora de Português se não se importava de que o tema da composição do teste fosse à nossa escolha. Desta forma podíamos gozar a liberdade criativa. - "Não é possível, no exame têm de escrever sobre o que vos pedem".
A resposta dela intrigou-me. Todas as nossas aulas são dadas em função da prova final e até ao nosso efémero momento de expressão individual foi atribuído um espartilho. Esta característica da educação portuguesa actual é uma das minhas principais preocupações relativamente ao referido assunto.
O objectivo mais importante é aprovar no temível exame. Isto não é uma preparação para a vida, é como querermos montar uma mesa e preocuparmo-nos apenas com as pernas.
O exame final não é nada mais que um utensílio de selecção. As faculdades não possuem espaço para tantos aspirantes a universitários, portanto, só vão para lá os melhores. O problema é que há muitos jovens a querer e a ser pressionados para ingressarem no Ensino Superior.
Tal conduz professores, pais e os jovens em questão a um grande nível de ansiedade. Principalmente os jovens, claro está. De certa maneira é compreensível, a vida não se encontra nada fácil e toda a gente procura conforto financeiro. Mas então e a saúde mental? Então e o bem-estar diário?

Vamos a um exemplo:
Uma criança está na sala de espera, prestes a fazer análises ao sangue. Sente-se naturalmente nervosa. Quando chega a sua vez de ser atendida, o coração quase lhe foge pela boca.
Todavia, para a acalmar, a/o enfermeira/o tenta descontraí-la, amba/os sabem que a agulha vai magoar o/a petiz/ada.
E assim, embora a criança chore, os seus nervos foram previamente atenuados. A meu ver, devíamos transportar esta abordagem para a educação.
Na altura do exame de Português do ano passado, uma ex-colega minha quase explodiu de nervos. Como todos nós passou o ano inteiro a ouvir falar do quão difícil era o exame e quando estava prestes a realizá-lo, o medo não lhe cabia na boca, não parava de afirmar que se sentia nervosíssima.
Os avisos são bons, sem dúvida, contudo, será uma GRANDE quantidade benévola? Embeber-nos com isso é como estar sempre a dizer à criança do exemplo: "tu tens de ser forte, não chores, olha que há coisas piores na vida". Obviamente que antes de enfrentar o momento da verdade, já estará a chorar.
Aliviemos esta loucura, preocupemo-nos com o todo do que significa educar. Estimulemos a capacidade de sonhar, o que acalmará a tensão de ter de fazer o exame (e não só), que apesar de não ser um bicho de sete cabeças, no-lo parece frequentemente.
Em primeiro lugar devemos eleger o que achamos ser o melhor para a nossa felicidade, dar ouvidos ao ditado "o dinheiro não traz felicidade". Convém que nos sustente sem necessitarmos de contar tostões, mas os nossos sonhos são a prioridade. Se não quisermos estudar mais, não o fazemos e procuramos algo menos teórico se é essa a nossa vocação e paixão.
O resto é conversa, para a frente é que é caminho!

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