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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

14/01/17

O Voo das Palavras (1)

Nesta publicação começa uma rubrica relacionada com a minha paixão pela arte da palavra em todas as suas formas. Todas as minhas artes preferidas são regidas por este ainda tão misterioso fenómeno que é a linguagem humana: literatura, cinema, música e teatro serão os protagonistas destas reflexões, que em paralelo com a vida real, incendeiam a minha imaginação e coração. 

Hoje trago ao blogue "High School Musical 2". Pronto, eu percebo que uma possível primeira ideia que se tem quando se ouve ou lê este título não é a de um filme da mais alta qualidade filosófica, que antes de se ter tornado numa grande produção da Disney, habitou a mente turbulenta, mas extremamente rica de um génio. 

É comercial? É, sem dúvida: muitas carinhas larocas no elenco (mas isso faz sempre parte da estratégia de venda), existem muitos clichês românticos, o que se reflecte bastante nas músicas e as próprias personagens são também elas algo baseadas em banalidades mais do que gastas como o basquetebolista popular, a vilã que tem uma paixoneta por esse mesmo basquetebolista e que está disposta a acabar com meio mundo para o conseguir, e do nada, surge a rapariga angelical que sem querer rapta o coração do herói e se apaixona por ele, destruindo assim os planos da antagonista. O único apoio da mesma é então o seu fiel subjugado que vai ganhando força para a enfrentar ao longo da triologia. 

Troy Bolton (Zac Efron), Gabriella Montez (Vanessa Hudgens), Sharpay Evans (Ashley Tisdale) e Ryan Evans (Lucas Grabeel) apresentam-se, portanto, como as figuras centrais de um enredo que foi desenhado essencialmente para agradar ao público adolescente... Mas! Não sei se sou apenas eu, no entanto, não é só isso que sinto quando vejo "High School Musical 2". Já vi os três filmes, mas este, o segundo, é especial. Não me lembro muito bem dos outros, mas recordo-me perfeitamente de que assisti ao número dois vezes sem conta, às vezes, quem sabe, mais que uma vez por dia! Os meus pais já estavam pelos cabelos! Bom, também devo confessar que estava na idade "certa" quando descobri o quanto adorava o filme, não devia ter mais que treze ou catorze anos.

Ao ver "High School Musical 2", eu percepciono a tradução cinematográfica da adolescência no seu expoente máximo: muitas alegrias, todo um mundo novo a erradiar expectativas e sem se estar à espera, a perda do controlo acontece, acabando com o plano de sonhos. 

O futuro! Essa divisão secreta e trancada por uma porta que nunca dá com a língua nos dentes até a altura certa chegar. Limita-se a olhar inexpressivamente para as nossas caras confusas, ansiosas e expectantes. Têm de trabalhar arduamente para a efrentar porque ninguém vai dar nada de mão beijada àqueles putos do Secundário. A faculdade está quase à porta, por isso, um emprego de Verão parece a ideia perfeita. 

Sharpay tinha tudo planeado e estava a correr-lhe às mil maravilhas... Porém, não contava com os amigos basquetebolistas de Troy e quando descobriu que Gabriella havia sido contratada para vigiar a piscina do clube, quase lhe deu um treco. Por sinal, todos os outros ficaram igualmente surpresos ao descobrirem que os pais de Sharpay e Ryan eram donos de um clube tão caro. 

Troy consegue subir na vida, contudo, não exactamente como tinha planeado primeiro. O que fazer? Escolher o sucesso ou os amigos? Uuuui! Aí é que a porta torce o rabo! Há lá pior dilema para um jovem que ser obrigado a tomar uma decisão tão complicada, considerando que ainda mal saiu da fase de usar fraldas? A canção Bet on It ilustra na perfeição o que se passa na cabeça tempestuosa de um adolescente com regularidade. 

Mais que as incertezas e as desavenças com os outros e com o interior das próprias personagens, a triologia High School Musical em geral é alegria e positivismo no seu melhor. Eu não aconselho a que se use os clichês em demasia, mas acredito que são sempre necessários e que uma história ou música sem eles já fica sem metade do gozo. Esta colecção de filmes com especial destaque para o segundo é, sem sombra de dúvida, o reflexo pleno da minha opinião: as músicas, embora joguem muito com o amor e a amizade, ficam no ouvido num instante, sou capaz de passar um dia inteiro a cantá-las. 

São autênticas bombas de energia positiva! E não é isso que se quer também de uma história ou de uma canção? Que nos deixe a pensar e que faça o nosso coração palpitar de alegria? Somente dois ou três minutos de vozes e melodias sincronizadas são suficientes para nos fazerem sorrir com mais facilidade no nosso dia-a-dia, é espantoso! O poder da palavra não tem limites!

Mais! A colecção High School Musical fornece  a combinação perfeita de notas musicais, cores vibrantes e actores para que toda a experiência se torne inesquecível! Há que reconhecer que o elenco foi muito bem escolhido, pois eu creio que a mestria da arte é alcançada quando se é capaz de ultrapassar os olhos do alvo e tocar-lhe na alma. 

Os filmes essencialmente românticos por norma aborrecem-me, gosto de que o amor seja um complemento e não o tópico principal do enredo, no entanto, esta triologia é sem sombra de dúvida uma excepção à regra. A minha canção preferida é You Are the Music in Me e céus! O romance de qualidade respira-se! A letra é de uma poeticidade soberba, bem como todo o ambiente que se cria à volta dela e a interacção dos actores... Aquilo não é representação, é magia!

Nota-se um brilho especial nos olhos e na linguagem corporal de cada um, o que denuncia que eles aparentam estar de facto apaixonados, a sentir a música e o amor a fluir-lhes no fundo da essência. E talvez estivessem mesmo, ouvi dizer que Zac Efron e Vanessa Hudgens namoraram. Todos os gestos que fazem são pura poesia, ora verifiquem-no por vocês mesmos:

 

Este tema surge de novo mais para a frente no filme, mas para grande desgosto meu, não posso mostar-vos esse momento, visto que vos revelaria demasiado. Todavia, é a meu ver a cena cinematográfica mais romântica de sempre ou pelo menos da história da Disney. 

Concluindo, eu gostava de dizer que High School Musical 2 significa muito para mim devido ao facto de ter o melhor dos dois mundos: consegue aproveitar toda a beleza das banalidades e mesmo assim apresentar um lado profundo e realista com o qual imensas pessoas se identificam ou já se identificaram. 

 

Informações adicionais sobre o objecto de crítica:

Datas de lançamento: 20/1/2006; 17/8/2007; 24/10/2008;

Realização:Kenny Ortega;

Argumento: Peter Barsocchini;

Elenco principal: Zac Efron; Vanessa Hudgens; Ashley Tisdale; Lucas Grabeel; Corbin Bleu; Monique Coleman; Oleysha Rulin;

Filmes relacionados: High School Musical - El Desafío (filmes da Argentina e do México - 17/7/2008 e 24/8/2008); High School Musical - O Desafio (Brasil - 5/2/2010); Sharpay's Adventure (19/4/2011);

Colecção de Livros: High School Musical - Stories from/Histórias de East High (16/1/2007-21/7/2009 - 14 volumes);

 

 

 

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