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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

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15/04/16

Nostalgia de Infância e Capacidade de Pensar como Outrora

por Olavo Rodrigues

Eu ainda sou bastante novo, no entanto, já possuo maturidade suficiente para sentir a nostalgia das memórias de infância. Não gostaria de voltar atrás, visto que isso significaria regredir e é a caminhar para a frente que se evolui. Contudo, a magia dos sonhos e momentos de criança permanece-nos no coração para o resto da vida. 

Recentemente, tentei escrever uma história infantil para um concurso organizado pelo Pingo Doce, cujo prazo para a categoria de texto terminará no dia 22 deste mês. Não singrei concretizá-lo.

Eu sempre julguei nunca ter perdido a minha criança interior, pelo menos a maior parte dela, não obstante, quando tentei pôr o meu imaginário em prática para aquela história, o caso mudou de figura. Não é que de momento pense como um adulto, pois ainda não atingi a profundidade de tal faixa etária, contudo, diria que a minha criança interior se converteu num pré-adolescente. E é incrível a subtileza com que isto ocorreu. 

Sempre que vasculhava ideias na minha cabeça, só encontrava material para o ramo infanto-juvenil, mas o infantil evaporou. 

É fascinante observar que à medida que absorvemos a beleza da complexidade, perdemos a da simplicidade, passamos só a saber complicar. No meu caso, a prova disso foi a adaptação da linguagem, foi o maior desafio para mim (não desisti do projecto, apenas quero dedicar-lhe tempo sem pressão. O meu lado perfeccionista gosta de falar alto). 

Vou dar-vos como exemplo um episódio que tive a sorte de contemplar:

A rondar os meus doze anos, fui convidado para participar numa oficina de ciência numa biblioteca próxima da minha residência. Um dia, as professoras deram-nos um exercício que avaliava uma falha do cérebro, o qual consistia em olhar o nome de uma cor tingido de outra. Isto é: «vermelho» estava a amarelo, «preto» a verde, «azul» a cor-de-rosa e por aí fora. 

Eu, que tão ligado me encontro à expressão verbal, espalhei-me ao comprido, apenas conseguia mencionar as palavras, não as cores que me eram mostradas, era muito confuso. Todavia, era também intrigante constatar que os miúdos que não sabiam ler, acertavam em tudo. Possuir conhecimento naquela situação revelava-se uma desvantagem notória. 

Quero com isto ilustar que enquanto crescemos, ganhamos umas qualidades e perdemos outras e que o grande desafio da evolução etária é manter uma ponte firme entre as duas realidades.  Acho que não me tenho safado mal, mas como já relatei, também já apresento alguns lapsos. 

A meu ver, a solução não é continuar a gostar de brinquedos ou de certos desenhos animados, os gostos mudam e não devemos contrariá-lo. Passa muito pela interacção com crianças, sempre que posso, faço-o, é simplesmente delicioso. 

Consiste em tentar preservar as características natas como a honestidade, a criatividade e a genuinidade ao mesmo tempo que se criam novas virtudes, tais como o discernimento do bem e do mal, o sentido de responsabilidade e a força de vontade para a realização pessoal. 

Uma outra boa maneira de melhorar este aspecto é a observação. As crianças observam os adultos para aprenderem o que eles sabem, estou em crer que nós devíamos observá-las também para reaprendermos umas coisas. 

Complicar será sempre inevitável, ainda para mais que na actualidade a informação vem às avalanches e talvez seja por isso que as novas gerações são precoces. Contudo, se por vezes queremos alguma simplicidade, podemos começar pela nossa mente. 

 

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