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Toca do Coelho

Um espaço para o meu apetite omnívoro.

Toca do Coelho

Um espaço para o meu apetite omnívoro.

13.Jun.16

No Leito da Paz

Escrevi um poema cristalino como água divina,
Reflecte o céu dos meus sonhos
E brilha com a claridade da luz obreira.

 

Escaparam pássaros da minha caneta,
Supostamente preparada para enxertar palavras e emoções
E conceber o quer que esta extensão de tinta signifique.

 

Queria segui-los, tenho tanta curiosidade em saber para onde vão.
Às vezes sigo-os, outras vezes não tenho oportunidade.
Mais ainda: de quando em quando estou demasiado pesado para voar,

Eles não me aceitam enquanto eu não ficar tão leve
E suave como as suas penas brancas e esbeltas,
Esculpidas pela ressurreição do fogo na Terra.

 

Já não sei o que pensar,
O meu cérebro não tem pedalada
Para a minha alma exigente e hiperactiva.
Ainda o pensador não acabou um verso
E já tem mais sete para montar.

 

Aqui e assim não sou de cá,
Mas também não sou de lá.
A minha casa pertence a este canto isolado,
Uma aldeia fortuita que nasce e se põe como o Sol.

 

Vou passar lá o fim-de-semana, que como sempre,
Por muito que dure, nunca é longo o suficiente
Face à semana atribulada e cinzenta,
Mas infelizmente, nunca petrificada.

 

Apetece-me dormir a sesta.
Abraço o meu poema
E ele recebe-me na sua água cristalina
Com a serenidade habitual.
Desta forma, descanso o corpo que se mantém à tona
Entre as estrelas e o mar.