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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

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30/04/17

Este Prazo de Validade já Acabou

por Olavo Rodrigues

Gostava de fazer um apelo à consciência dos jovens da minha idade, pois este é um problema que, na minha mais sincera opinião, não faz qualquer sentido existir em pleno século XXI. Creio que não é nada correcto que, sendo nós a geração do futuro, continuemos a rotular as mulheres ou, neste caso, as raparigas, de "putas" com base na quantidade de parceiros que estas têm.
Digo isto porque tenho noção de que a exploração da sexualidade entre alguns miúdos como nós ou, mesmo mais novos, tem sido um pouco descontrolada, dado que estamos na era da informação abundante, do fim do sexo enquanto tabu e na libertação feminina no que diz respeito ao tópico deste texto. Tal descontrolo pode dever-se à simples actividade desenfreada das hormonas, à falta de cuidado ou mesmo à ausência de controlo parental, no entanto, apesar de concordar em pleno com a tentativa de resolução deste problema, há algo que simplesmente não consigo compreender: porque são sempre as mulheres o alvo?
Não é raro encontrar publicações no Facebook que exponham este tipo de conteúdo:
1) "Hoje em dia, as miúdas de treze anos só querem abrir as pernas, mas quando eu tinha a mesma idade só pensava em que Power Ranger gostava de ser".
2) "Se as putas voassem, a minha escola era um aeroporto".
3) "Tu tens 18 anos e vês o "Spongebob"? Pára de ser infantil! Tu tens treze anos e já andas assim vestida? Fecha as pernas!".
Os exemplos são inúmeros.
A questão é: se não são apenas as raparigas que têm este tipo de desejos sexuais, porque é que quase nunca vejo uma referência ao sexo masculino nestas publicações?
Os rapazes da mesma idade são tão irresponsáveis quanto elas. Infelizmente, ainda há quem engravide outras crianças e as deixe com um rebento nos braços para criarem sem uma das figuras mais essenciais, o que por sinal, é também abordado.
É tão normal e aceitável ter curiosidade em pô-lo no meio das pernas como em abri-las. Se isso não é bem gerido, não somos nós, os terceiros, que temos de o comentar. Não nos diz respeito, pura e simplesmente.
Porque há-de nos incomodar com quantos rapazes uma determinada rapariga se envolveu durante a semana? Se formos uma pessoa amiga muito próxima, então sim, num gesto de preocupação, podemos alertá-la para a banalização de uma necessidade tão importante como o sexo, contudo, caso contrário, de nada serve opinar. Quanto muito, se a dita rapariga souber do que é apelidada, isso só a deitará abaixo em vez de a incentivar a melhorar. Se as raparigas são marias-vão-com-todos por se deitarem com metade da escola, não o são também os rapazes que cometem o mesmo erro? Assim sendo, porque é que não são tão comentados?
Em suma, eu gostava de revelar a minha total discórdia em relação a adjectivos como: "puta", "vadia", "galdéria", entre outros. Eu já tive a mesma mentalidade, mas apercebi-me de que é bastante errada, quer para o sexo feminino, quer para as pessoas que se encontram na situação descrita.
Estamos em 2017, porém, a opressão sobre a sexualidade feminina, embora esteja mais fraca, continua a exercer uma força significativa antiquada. À semelhança do homem, a mulher tem o direito de explorar a sua sexualidade com QUEM quiser, bem como QUANDO e com QUANTOS parceiros quiser. É errado? Não sei, não me cabe a mim decidir.
Por esta razão, peço que se pare com a disseminação de palavras odiosas, pois as mesmas não têm nada de SAUDÁVEL para oferecer.

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