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Toca do Coelho

Uma espécie de blogue/livro/coiso com espécies de texto.

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06
Jan16

Devaneios e Meteorologia

Olavo Rodrigues

Não me apetece prestar atenção às aulas. Não que o tema não me interesse, é literatura. Eh, pá, mas ultimamente não tenho estado para aí virado. Lá estou eu distraído outra vez, é inevitável, como se diz: já não é defeito, é feitio. A voz silenciosa do inconsciente fala mais alto que a stôra. Ei! Alto e pára o baile, a doutora está a ditar apontamentos! 

Ena pá, que letra feia! Andei eu a esfalfar-me para melhorá-la e agora parece árabe. A minha caligrafia reflecte-me, é selectiva, só faz cara feia quando lhe dão de comer aquilo de que não gosta, mas ofereçam-lhe imaginação, que ela chama-lhe um figo. Não quero escrever apontamentos, prefiro deambular na divagação. Se pudesse, até me levantava da cadeira e andava de um lado para o outro como faço em casa (principalmente quando estou sozinho). 

Às vezes ouso ir mais longe, dá-me para saltar, rodopiar... A energia ganha uma forma aleatória que me alivia e me diverte. Há quem desenhe, toque instrumentos, cante, entre outros. Eu prefiro escrever ou mexer-me. Já devo ter feito o equivalente a uma prova olímpica a escrever este texto.

Pumba! Uma cabeçada na parede! É bem feita, que é para aprenderes... Ou talvez não. Costumo entrar em piloto automático. Felizmente só colidi com a parede duas vezes, estou bem programado... Vá, dá para o gasto.

Dizem que está mau tempo lá fora. O que é isso de estar mau tempo? O céu também tem direito a reinventar-se, nós não gostamos de vestir roupa preta? Então, ele prefere o cinzento, aliás, a escolha dele até é mais leve. Chove, é verdade, mas a Mãe Natureza tem de cuidar da casa. Isto é tal e qual como estarmos no nosso quarto e ouvirmos um aspirador ensurdecedor. Incomoda, é verdade, mas tem de ser porque se não, comemos pedras.

Creio que devíamos abandonar esta percepção dual da realidade - ciência/religião, branco/preto, sol/chuva. Não existe bom e mau, apenas diversidade. Ninguém gosta de tudo, confesso que não sou uma excepção, mas antes de dizer que não, gosto de tentar ver o lado positivo ou então de esperar por uma oportunidade para o fazer.

O "mau tempo" é nada mais nada menos que um descanso do bom. No Verão e na Primavera extravasamos energia, actualmente é altura de recolher. Podemos aproveitar para criar o nosso próprio positivismo, é a partir das trevas que nasce a luz.

Seria uma boa estratégia desfrutar de cada momento bom ao máximo, já que o clima afecta o psicológico negativamente. É como demorarmos a comer chocolate para o sabor durar mais. Nas estações quentes não há essa necessidade, possuímos abundância. 

Então e se em vez de nos contentarmos com o noticiário deprimente do costume, contássemos as nossas próprias histórias? Não precisam de ser reais, inventamos situações que de igual forma não envolvem obrigatoriamente pessoas reais e andamos mais contentes. Há duas coisas essenciais para se retirar um óptimo proveito de sonhar: uma é a boa imaginação e a outra, o conhecimento para a enriquecer. 

O conhecimento adquire-se maioritariamente na escola (também é saudável procurar outras alternativas), quando se põe os pés em casa, é hora de sonhar. Ou pelo menos devia ser. Não há melhores treinadores que as crianças para exercitar a nossa criatividade. Uma boa história criada em família ao jantar e saem todos a ganhar.

Por vezes pergunto-me se "sonho" não será uma palavra mais bonita para designar "realidade". Convenhamos, quer num plano, quer noutro, podemos cumprirmo-nos, basta termos projectos nos dois lados. 

Um estalar de dedos faz-se ouvir à frente dos meus olhos. O meu colega do lado indica-me que tenho de prestar atenção. Ah, pois é, há um exame para fazer...

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