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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

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06/04/16

Desiludido com o Entretenimento para Menores

Há muito tempo que não me foco em canais infantojuvenis como a Disney ou a Nickelodeon, mas de quando em vez, tenho a oportunidade de me actualizar, sempre que uma criança ou adolescente mais novo está por perto, portanto. Desiludo-me amiúde assim que constato a qualidade do entretenimento infantil e infantojuvenil de hoje em dia, que nada tem a ver com a magia que experimentei na minha infância.

Pronto, é verdade que é normal as gerações mais velhas dizerem isto das mais recentes, os meus pais faziam a mesma coisa, porém, creio que houve de facto uma involução significativa de há uns tempos para cá. 

Na minha altura eram transmitidos alguns desenhos animados violentos, é certo. São exemplos - Beyblade, Megaman, Medabots, Digimons, Pokémons (deste último, nunca gostei), mas ao contrário do que os adultos pintavam, não eram assim tão maus quanto isso, injectavam apenas algumas doses de adrenalina. Verdadeiramente impactante era o Dragon Ball, que comecei a ver a partir dos dez anos e já dominava os corações de muitos mesmo antes de eu saber falar. 

No entanto, para compensar toda esta acção, havia também programas deveras pacíficos e deliciosos como o Doraemon, os Dragões de Bolso, mais tarde, Phineas e Ferb, entre outros. Os desenhos animados actuais acerca dos quais suponho que já não haja tanta abundância em luta, podem ser maioritariamente pacíficos, mas desprovidos de qualidade, estando alguns assim por completo.

O Mundo de Gumbal por exemplo, é um dos que menos aprecio. Diviso uma tentativa forçada de efeito cómico no comportamento das personagens. Quem criou o programa dá a ideia de que pretende cativar o público através do absurdo (uma prova disso é que não há homogeneidade no aspecto físico, encontra-se de tudo, desde uma professora chimpanzé a um ladrão em forma de impressão digital). 

Sou apoiante dessa intenção, acho que não é necessário haver algo educativo em todos os meios de entreter os menores, há programas cujo objectivo é precisamente esse: o entretenimento. Todavia, tem de ser bem conseguido. 

No meu tempo, o Cartoon Network estava absolutamente em inglês, nem a legendas tínhamos direito. Mas eu adorava-o! Durante uns anos foi o meu canal de eleição, só depois é que o troquei pelo Panda. 

Não percebia patavina, mas para mim eram grandes momentos de prazer televisivo porque os desenhos animados possuíam conteúdo realmente cómico. Ninguém esquece o Tom e Jerry, que passou pelos meus pais, por mim e actualmente, por estas crianças também... Ainda que esteja em português. Acabaram com o encanto do Cartoon Network. 

 

Felizmente, hoje já não é tanto assim, mas à volta de dois ou três anos, a Disney e a Nickelodeon desiludiram-me bastante. Tal como novelas nos canais portugueses, estes canais internacionais lançavam dezenas de séries infantojuvenis nas quais, regra geral, o/s protagonista/s era/m adolescente/s e substituíam em massa os desenhos animados na programação diária.

As primeiras eram incríveis! Títulos como Hannah Montana, Drake e Josh, Hotel Doce Hotel iCarly marcaram-me. Sem embargo, as que se lhes seguiram atingiam de maneira irritante a futilidade e a arrogância, parecia ser norma diminuir os «cromos» em prol dos «populares». 

Apesar disto tudo, o golpe mais profundo é já não produzirem clássicos da Disney. Aqueles filmes bidimensionais cheios de cores e pormenores que quase literalmente transportavam a sua magia para a sala de estar (ou outra assoalhada). Agora muito dificilmente se vai igualar isto:

Digam a todos que aqui vou eu,

Amigos num novo jardim.

Azul é o céu e aqui vou eu,

Pois eu gosto mesmo é de estar aqui.

(De Kenai e Koda, cantado por Koda e pelos Anjos)

Ou isto:

Eu uso: necessário, somente o necessário,

O extraordinário é de mais.

Eu digo: necessário, somente o necessário,

Por isso, esta vida eu levo em paz. 

(Do Livro da Selva, cantado por Baloo e Mogli)

O meu preferido é o primeiro Rei Leão, a minha mãe diz que quase estraguei a cassete por explorar a fita. Ela conseguia ouvir-me cantar: eu mal posso esperar p'ra ser rei! Entre outros temas igualmente fabulosos. Pensei em citar uma canção do referido filme, mas trata-se de uma tarefa hercúlea para esta hora. 

Não quero dizer que os filmes para menores já não prestam, mas tenho pena de os miúdos actuais não poderem enriquecer a sua imaginação com histórias no mais puro sentido da palavra. 

O mais provável, embora tenha escrito ao quilómetro, é alguém do futuro próximo ler esta publicação e pensar: este cota só diz baboseiras! Mau gosto televisivo na minha infância uma ova! E se calhar terá razão. 

 

 

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