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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

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04/01/17

A Língua Portuguesa É Machista

por Olavo Rodrigues

Tropecei nesta reflexão já há algum tempo. Eu sou a favor da igualdade de todos os tipos de seres humanos e intriga-me que esta característica do nosso idioma, à diferença da outras, não se adapte aos tempos modernos. Talvez seja por ninguém a achar muito importante, mas eu pelo menos gostava de lhe oferecer a minha atenção. Vamos a um exemplo:

 

Eles foram feitos um para o outro.

 

É sabido que a língua portuguesa tem dois géneros, porém, perante a necessidade de se juntarem, a união não acontece, mas sim a absorção do feminino pelo masculino ou então a eleição do segundo para representar o geral da humanidade. A cortesia comercial costuma ser uma boa demonstração disto: "é bom tê-lo por cá". 

Outra situação com o mesmo problema, embora de natureza política e não linguística, é a ordem dos apelidos na identificação das pessoas. Primeiro o nome da mãe e depois o do pai de modo a ter continuidade ao longo do maior número de gerações possível. 

Em Espanha funciona ao contrário, contudo, o objectivo não é beneficiar o sexo feminino. Se esta regra fosse aplicada em Portugal, eu assinaria "Olavo Rodrigues" na mesma, porque seria suposto criar uma maior proximidade entre o meu primeiro nome e o apelido do meu pai. 

Então, como solucionar estes pequenos inconvenientes? Inverter as posições está fora de questão, pois cometer-se-ia o mesmo erro de uma maneira diferente. 

Eu sugiro que tudo se baseie no sexo de cada pessoa. Se um novo ser humano nascer rapaz, creio que se deve manter a forma antiga, no entanto, se for uma rapariga, por que não passar o apelido da mãe para o último lugar? Ou para o meio, depende do país. 

Tal poderia resultar na questão dos nomes de família, porém, apesar de ser eu o inventor desta solução, penso que o campo linguístico ficaria um pouco estranho. Ouvir alguém do género oposto ao meu referir-se a mim e a outra pessoa do mesmo sexo que o seu no feminino, surpreender-me-ia sem dúvida, mas quem sabe? Talvez fosse somente uma questão de hábito. 

Conceber um terceiro género é também uma opção, todavia, tenho para mim que não resultaria. As pessoas não costumam reagir bem a alterações artificiais no seu idioma. O Novo Acordo Ortográfico é o melhor exemplo que me ocorre. 

O que é que vocês acham? Crêem que nos devemos focar em aspectos mais importantes em relação à igualdade de sexos e pôr estes de parte? Pensam que isto é simplesmente irrelevante ou que é de facto possível investir energia em tudo? 

A mim as coisas pequenas fascinam-me. Deparar-me com elas é como andar na praia e encontrar uma concha lindíssima, que tendo estado escondida entre as muitas outras, se destacou graças ao seu brilho único. 

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