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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

25/01/18

Porque Decidi Ser...? (1)

por Olavo Rodrigues

BLOGUISTA:

 

Este blogue foi criado no dia 4 de Abril de 2015, logo de madrugada, à uma e tal da manhã. De facto, não percebo por que razão não me ocorreu criar este cantinho mais cedo - bem como o outro, que nasceu em Novembro do mesmo ano - dado que descobri a minha paixão pela escrita por volta de Setembro de 2010.
Na verdade, a ideia foi quase sugerida. Tinha visto algumas horas antes uma notícia sobre alguns bloguistas que tinham obtido uma estabilidade financeira a partir dos seus espaços digitais. Milhares de pessoas visitavam-nos sedentas de ler os seus conselhos e pensamentos sobre o quer que fosse: moda, vida pessoal, reflexões, entre outros. E eu percebi que também podia agarrar aquela oportunidade.
Antes de continuar, gostava de esclarecer que a fama e o dinheiro nunca foram os motores principais da minha produção escrita. Acreditem que se o que eu quisesse mesmo muito fosse enriquecer, teria tentado a minha sorte no YouTube, que é um mundo com muito mais adeptos.
Quem cria um blogue ou quer entrar noutra área do universo das palavras, não vai à procura de uma fortuna milionária. Pelo menos, este é o meu ponto de vista. Desejar e conseguir viver da escrita não é necessariamente a mesma coisa que nadar em dinheiro. É dificílimo ganhar o pão do mês escrevendo, quanto mais ficar podre de rico graças a isso.
Fama também não se tem muita de certeza, pois «ninguém liga» aos escritores. Quem capta a atenção das grandes massas são os actores, os futebolistas, os cantores e, mais recentemente, os youtubers.
Toda a gente sabe dizer o nome de um actor ou outro que tenha visto num filme, mas experimentem perguntar o/s do/s guionista/s. É bem provável que o vosso interlocutor não o saiba. E eu também não por muito que tente memorizá-lo quando começa a película, mas depois de a ver, a identidade do/s autor/es escapa-me.
Não obstante tudo isto, é importante ressaltar que nem todos os elementos dos grupos acima mencionados são ricos e famosos e que muitos deles são bons nos seus campos sem o foco do holofote. Hoje em dia existe o estigma de que os youtubers, por exemplo, são todos uns preguiçosos com falta de massa cinzenta, que querem ganhar a vida a fazer parvoíces vazias.
Não é inteiramente verdade, há youtubers de óptima qualidade que lutam com fervor pelo seu lugar e alguns já lá estão. Atribuir-lhes essa ideia de qualidade, bem como a qualquer outro tipo de entertainer, parte, claro, da óptica de cada um. Eu só disse que o YouTube é um bom sítio para enriquecer, uma vez que lá quase tudo pega com facilidade. Há canais de todos os géneros e mais alguns; contudo, não se conquista nada sem paixão nem dedicação genuínas, pelo que alguém que só se interesse pela futilidade de querer somente ser rico e famoso não chega muito longe. O público nota essa falsidade e desonestidade para com ele. Por muito palerma que o conteúdo de alguns entertainers seja, eles têm sucesso, porque demonstram paixão.
É precisamente isso que eu pretendo pôr nos meus textos, visto que ser bloguista se assemelha a ser escritor. É uma forma de publicar o nosso trabalho, exige um compromisso com os leitores e abre a porta para aquilo que imensos produtores da arte das letras ambicionam: receber dinheiro para escrever. Mas querermos esse sonho não é errado desde que definamos com sensatez quem queremos entreter: nós próprios e o público ou apenas o nosso ego?
Em suma, eu adoro ter blogues, porque são uma preparação para o salto com que sonho dar mais à frente na minha vida. Porém, mesmo que um dia esse desejo se concretize, os meus blogues nunca morrerão. Hoje em dia não quero outra coisa.
Já ouvi dizer que o mundo editorial pode ser bastante duro, portanto, aqui terei sempre dois cantinhos à minha espera para eu usar e abusar da minha liberdade de expressão como tenho feito até ao momento.
Porque escolhi o Sapo Blogs? Bem... calhou. Foi literalmente algo do estilo: «olha, vai este». E deixar o meu instinto decidir logo após ter pesquisado «blogs» no Google foi, sem dúvida, uma excelente escolha.
Adoro esta comunidade, pois é muito dinâmica e unida, dando-me a oportunidade de contactar pessoas incríveis e fascinantes. Para além disso, é o máximo que a equipa da plataforma esteja constantemente a esforçar-se para tornar esta biblioteca cibernética num espaço cada vez mais diversificado e cómodo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Sim, sim, já acabou por agora. Passem cá no dia 31 de Fevereiro de -39, que há mais.

 

23/01/18

O Estranho Observador

por Olavo Rodrigues

Estou eu a olhar-me no espelho,
A ver-me como se não fosse eu,
O tipo mais estranho de quem recebo o conselho,
Que não está seguro do que he seu.

 

Parece egocentrico o observador fixado,
Mas só porque nunca se sente authentico,
Pois não vê mais que um Eu ficcionado.

 

Como he estranho e interessante ver-me como um tu.
Certamente, de onde aquelle veio, haverá sempre mais que um.
Nunca he o mesmo tipo com quem me encontro.
Todos os dias há um novo, cada vez mais distincto do outro.

 

He um comportamento narcisista este, que não pára.
Como he fascinante o desconhecimento desta ave rara.
He tão simples assim!
A analyse do tipo que não cessa de olhar para mim.

22/01/18

O Preço de Ser Conceituado

por Olavo Rodrigues

Ontem estava eu a sonhar com a possibilidade de um dia vir a ser um bloguista ou um escritor conceituado e, o mais importante de tudo, inspirador. No entanto, logo a seguir ocorreu-me o lado negro dessa realidade, pois nesse patamar  tudo é muito mais impessoal.

Quando pensamos em alguém cujo trabalho é admirado, lembramo-nos de como deve ser incrível a sensação de imensas pessoas dizerem-nos que as fazemos sentir melhor à nossa maneira, nem que seja por breves momentos, mas a realidade mais triste é que, dificilmente, o autor conseguirá agradecer-lhes bem, com o mesmo carinho, com toda a atenção que os fãs merecem. 

Isto porque se estivermos a falar de alguém com uma quantidade de seguidores verdadeiramente colossal, percebemos que é impossível, para qualquer ser humano, entrar em contacto com milhares ou com milhões de admiradores individualmente. Tal deixa a sua marca de frustração. Pelo menos, eu sentir-me-ia assim. 

Num espaço pequeno como esta plataforma de blogues é mais fácil, uma vez que, de acordo com o que eu tenho testemunhado, os comentários dos grandes blogues nunca passam da casa das dezenas, permitindo assim ao autor manter uma troca de ideias agradável e estimulante com quem o segue.

Isso é o máximo! Há lá melhor coisa que ter uma interacção mais directa com as pessoas em causa? Dizer-lhes: «agradeço-te imenso por me apoiares tanto. Acompanhares-me significa mesmo muito para mim e cada comentário teu ajuda-me a crescer mais um pouco. Eh, pá, a sério, obrigado.»

Como o entretenimento audiovisual tem mais adeptos, esta conversa não é possível quando se trata dos youtubers da ribalta. O Felipe Neto, por exemplo, recebe, de quando em vez, presentes dos seus fãs, os quais são dotados de uma criatividade extraordinária. É um prazer enorme ver do que é que excelentes mentes escondidas se lembram para agradar ao seu ídolo. E para além de agradecer, com intensidade, todo o apoio que recebe sempre que alcança uma nova conquista, esta estrela da internet também faz questão de mostrar uma profunda gratidão pelas prendas. 

No entanto, o Felipe Neto não faz a mais pálida ideia de quem lhe enviou aquilo e embora a sua gratidão seja talvez sincera, eu creio que o desconhecimento da pessoa por trás daquele acto de carinho torna a situação mais impessoal e, portanto, também mais fria. Normalmente - agora abrangendo todas as grandes celebridades - estes influnciadores agradecem a um colectivo, pois não podem, através das câmaras, ser omniconscientes e ter noção de quem é cada indivíduo que os segue.

Aqui também é comum não termos uma ideia exacta de quem são os nossos subscritores; porém, só o facto de se apresentarem num número muito menor e de termos mais capacidade para assimilar os seus nome e fotografia - ainda que o primeiro possa ser falso e que quiçá o segundo nem sequer tenha características humanas - já fornece outro sabor à interacção com eles, outra profundidade. Eu defendo que este privilégio deve ser bastante valorizado. 

No fundo, quase podemos dizer que o YouTube, por exemplo, é uma espécie de metrópole gigante como Nova Iorque onde os habitantes estão muito ocupados com a sua vida para terem conversas menos impessoais com a pessoa ao lado e que o Sapo Blogs é - não bem uma aldeia - mas sim uma pequena vila mais familiar, apesar de também existir alguma impessoalidade. 

Há mais desvantagens em ser imensamente conceituado, tais como alguns fãs sem noção dos limites descobrirem o número de telemóvel do seu ídolo e ligarem-lhe. Imagino que seja deveras estranho atender alguém que nos adora, mas que nós não conhecemos e que possui o nosso contacto telefónico sem a nossa permissão. Outra dor de cabeça causa a imprensa - cor-de-rosa ou não - que corre atrás dos famosos mal os mesmos dão um passo. 

Mas este já é o tópico da falta de privacidade, que não é o protagonista desta crónica. 

Enfim, não é possível ter o melhor de dois mundos. 

 

 

22/01/18

A Lei do Retorno

por Olavo Rodrigues

Na dança constante do bem e do mal,
Tu decides o que te beneficia
E o que he para ti letal.

 

Parece utopico ou talvez absurdo,
Mas a vida corre-te mal, porque és surdo.
Sem te aperceberes de como traças o teu rumo,
Dás varios passos, todos elles com pés de chumbo.

 

Tu podes criar a tua realidade,
O que vai, vem,
Seja amor ou maldade.

 

Attenta nos teus parceiros de dança
E também na choreographia,
Acredites ou não, o que o teu juízo lança
He o teu reflexo, que sempre te desafia.

 

Quando muda a tua percepção,
Muda a criação.
As pessôas e o que te acontece,
A aprendizagem traz coisas bôas
E o resultado da teimosia toda a gente conhece.

 

Dá aos passos a tua synchronização,
He tão simples e complicado criar este equilibrio,
Que pede a tua mão.

 

Nunca penses que te livras das setas,
Pois á tua frente haverá sempre novas metas.

20/01/18

Porque Escrevo?

por Olavo Rodrigues

Porque escrevo?
Não lhe reconheço razão exacta,
Porque se não o fizer, não vale a pena ser na Terra
Nem em lado nenhum.

 

Sei que preciso tanto de escrever como de existir.
Qualquer outra criatura tem cinco sentidos para desenvolver
E o escriptor tem o sexto na ponta da caneta.

 

Tactear com as palavras é passar para um estado metaphysico,
Sem forma para se formar o que se quer.
Os pensamentos e as emoções saem do corpo terrestre
Para animarem outro no universo do outro lado do espelho,
Que tudo tem igual ao d'este, mas com muito mais intensidade.

 

Escrever é fallar sem ser interrompido,
É uma forma de estar sozinho,
É meditação e tansformação.
Não havendo desertos em branco para preencher,
Não é possível mais caminhos percorrer.
Um escriptor sem palavras é uma ave sem asas.

19/01/18

Criatividade em Curto-Circuito

por Olavo Rodrigues

Esta vontade sedenta de querer produzir
Me sai dos poros e me rebenta
Por aquillo que também não quero construir.
Assim ando pela poeira, que nunca assenta,
Não vendo, não me mexendo,
Não vivendo activo como gostaria e, congelado,
Quase caio na apathia.

 

No mesmo terreno um diz que sim e outro diz que não
E eu só oiço ruído sem direito a uma canção.
Não os entendo e entre elles há ainda menos consenso.
Passo, então, o dia tenso, cheio de frustração.
Fica a machina estacionada e fria
Á espera da proxima jornada,
Que, vazia, talvez também veja desperdiçada.

04/12/17

Textos do Campeonato de Escrita Criativa (4) 2

por Olavo Rodrigues

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Apetece-me​ ​dizer-te​ ​que​ ​não​ ​quero​ ​dizer​ ​nada.​ ​Ou​ ​melhor:​ ​que​ ​não​ ​quero​ ​dizer​ ​nada útil.​ ​À​ ​conta​ ​desta​ ​preguiça,​ ​já​ ​enchi​ ​duas​ ​linhas​ ​com​ ​palha,​ ​portanto,​ ​agora​ ​faltam…  esquece,​ ​também​ ​não​ ​me​ ​apetece​ ​fazer​ ​contas. 

Que​ ​importam​ ​os​ ​pormenores?​ ​Tudo!​ ​Ou​ ​nada​ ​se​ ​for​ ​isso​ ​que​ ​desejas,​ ​no​ ​entanto,​ ​o  nada​ ​pode​ ​ser​ ​o​ ​maravilhoso​ ​tudo​ ​de​ ​um​ ​momento​ ​se​ ​sentirmos​ ​como​ ​é​ ​saboroso, às​ ​vezes​, ​não​ ​cumprir​ ​uma​ ​obrigação. Eu​ ​podia​ ​(devia)​ ​estar​ ​a​ ​estudar​ ​feito​ ​eremita​ ​como​ ​sempre,​ ​mas,​ ​ao​ ​invés​ ​disso, estou​ ​a​ ​adiar​ ​a​ ​morte​ ​ao​ ​socializar​ ​contigo.​ ​O​ ​isolamento​ ​extremo​ ​mata,​ ​sabias? Outro​ ​pormenor​ ​que​ ​talvez​ ​não​ ​seja​ ​importante.​ ​Não​ ​sei,​ ​diz-me​ ​tu. 

Eu​ ​podia​ ​(devia)​ ​estar​ ​a​ ​trabalhar,​ ​porque​ ​as​ ​propinas​ ​não​ ​aparecem​ ​simplesmente  pagas,​ ​porém,​ ​em​ ​vez​ ​disso,​ ​estou​ ​a​ ​desenvolver​ ​a​ ​minha​ ​criatividade.​ Tenho​ ​tempo para​ ​me​ ​agarrar​ ​à​ ​crítica​ ​de​ ​clássicos​ ​literários.​ ​Se​ ​tudo​ ​correr​ ​bem,​ ​pelo​ ​menos,​ ​até ao​ ​fim​ ​da​ ​licenciatura. Decidi​ ​experimentar​ ​uma​ ​nova​ ​paixão,​ ​pois,​ ​afinal,​ ​ninguém​ ​vive​ ​apenas​ ​de​ ​uma.​ ​Por muito​ ​que​ ​adore​ ​escrever​ ​crónicas,​ ​não​ ​faz​ ​sentido​ ​dar​ ​uma​ ​prioridade​ ​constante​ ​às tarefas​ ​quotidianas,​ ​que​ ​nos​ ​oferecem​ ​inúmeras​ ​oportunidades​ ​de​ ​as​ ​cumprirmos. 

Como​ ​está​ ​o​ ​tempo​ ​aí?​ ​Disseram-me​ ​que​ ​um​ ​maluco​ ​avariou​ ​o​ ​portal​ ​temporal​ ​e que​ ​se​ ​misturaram​ ​muitas​ ​épocas​ ​de​ ​repente.​ ​Sim,​ ​quero​ ​falar​ ​do​ ​tempo.​ ​Nem​ ​todas as​ ​conversas​ ​têm​ ​de​ ​ser​ ​profundamente​ ​filosóficas,​ os​ ​pequenos​ ​tópicos​ ​também são​ ​importantes.​ ​Este​ ​aborda​ ​a​ ​saúde,​ por​ ​exemplo.​ ​Não​ ​creio​ ​que​ ​um​ ​dinossauro​ ​a perseguir-nos​ ​faça​ ​bem​ ​ao​ ​coração.  

Já​ ​reparaste​ ​no​ ​óptimo​ ​desempenho​ ​dos​ ​esquilos​ ​magentas​ ​que​ ​surfam​ ​em  alguidares​ ​de​ ​gemada?​ ​Fluem​ ​na​ ​doce​ ​sobremesa​ ​com​ ​a​ ​mesma​ ​doce​ ​facilidade  que,​ ​como​ ​vês,​ ​qualquer​ ​tema​ ​arranja​ ​uma​ ​língua​ ​comprida.​ ​Basta​ ​querer.​ ​Aliás,​ ​eu  enchi​ ​um​ ​parágrafo​ ​inteiro​ ​de​ ​palha​ ​da​ ​mais​ ​rasca​ ​qualidade​ ​magnífica. Isto​ ​faz​ ​sentido?​ ​Não​ ​sei,​ ​diz-me​ ​tu.

 

Encontrem os outros textos no blogue É Contar e Encantar.   

05/11/17

Eu Nunca/Eu Já - Desafio

por Olavo Rodrigues

Ora viva, bloguistas! Caramba, o meu editor de textos já estava cheio de pó e de teias de aranha! É, então, hora de reaquecer o motor e de o blogue estrear o mês de Novembro com um novo desafio. Devo esta honra ao Bruno, o autor do blogue O Fumo do meu cigarro, que me nomeou para partilhar o que Eu Nunca/Eu Já fiz. 

O desafio tem algumas regras. Ei-las:

1) Responder a todas as questões com eu nunca ou eu já.

2) A última pergunta deve ser respondida somente com sim ou não.

3) Colocar a imagem do desafio.

4) Referir quem vos nomeou.

5) Passar o desafio a, pelo menos, quatro pessoas.

(Eu, pessoalmente, vou considerar esta norma facultativa, pois embora o seu objectivo seja dar continuidade a esta brincadeira, eu prefiro deixá-la em aberto a quem quer que leia as minhas respostas e queira fazer uma versão sua. Parece-me mais giro e variado assim).  

 

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1 - Eu já fiz uma interrail: 

Eu nunca, mas não posso morrer sem o fazer. É um sonho tornado realidade para qualquer amante de línguas e culturas. Hei-de o adicionar à minha lista de objectivos.

 

2 - Eu já participei num concurso:

Eu já e, aliás, ainda está a decorrer. Decidi experimentar participar no 37º Campeonato de Escrita Criativa organizado por Pedro Chagas Freitas, o qual tem sido óptimo para puxar pela minha criatividade e conhecer melhor os meus limites no que diz respeito à obtenção de ideias, à gestão de tempo e à capacidade de adaptação, dado que só tenho direito a trezentas palavras por texto, sendo essa restrição muito penosa para mim, porque adoro escrever ao quilómetro. Obedecer ao tema também se revela difícil de vez em quando. 

 

3 - Eu já conheci a pessoa que mais admiro:

Eu adoraria saber responder apenas com o que me foi pedido, mas não consigo. É uma questão demasiado abstracta, pois, na minha óptica, é impossível escolher uma definição exacta para condizer com a pessoa que mais admiro. 

Eu só tenho vinte anos, pelo que ainda me restam dezenas de pessoas com quem me cruzar. E porque é que só pode ser uma? Além disso, há que ter em conta o facto de que cada ser humano tem tanto de bom como de mau, o que me leva a admirar os meus entes queridos por razões que diferem de uns para os outros. 

 

4 - Eu já caí na rua:

Eu já, algumas vezes, especialmente, de bicicleta. Eu sou um pouco desastrado por natureza, portanto, eu normalmente não caio, eu faço cair. 

 

5 - Eu já desmaiei:

Eu já, quando era mesmo muito pequeno, aliás, ainda nem sequer tinha entrado para a escola, creio. Não me recordo do objecto com que colidi, porém, sei que aconteceu porque, a minha mãe, a brincar, me deu um pontapé que supostamente devia ter-me acertado no rabo, mas que, de alguma maneira, acabou por me projectar contra qualquer coisa e, no instante a seguir, o mundo foi substituído por uma escuridão que surgiu muito levemente, como se tivesse sido anestesiado. 

 

6 - Eu já estive em coma alcoólico:

Eu nunca. Ah, não! Nem pensar nisso é bom. A moderação merece a mesma preocupação que levar o telemóvel, a carteira e as chaves. 

 

7 - Eu já experimentei drogas:

Eu nunca. Não me despertam a mínima curiosidade.

 

8 - Eu já me vinguei de alguém: 

Eu nunca.

 

9 - Eu já tive um acidente:

Eu já, mas não foi muito grave, pois, felizmente, ninguém se magoou. Uma vez fui com os meus avós visitar uns amigos deles ao Norte e o meu avô pediu o carro emprestado ao meu pai, no entanto, o problema era que não tinha muita experiência com carros, de maneira que, no regresso, bateu num poste, amolgando o capô e estragando o motor do veículo. 

 

10 - Eu já andei de avião: 

Eu já e é o meio de transporte mais fixe de sempre! Ou, pelo menos, da actualidade. Fico particularmente fascinado quando as nuvens parecem montes de algodão gigantes, dão uma vontade imensa e, quase irreprimível, de sair do avião a voar para as abraçar. Os únicos limites que acrescentam o quase são os factos de as janelas dos aviões não se abrirem, de não ser possível voar fora de um veículo preparado para tal e de as temperaturas no céu serem demasiado baixas para que qualquer humano sobreviva. 

A grande desvantagem de viajar neste magnífico meio de transporte é que se não tivermos ninguém com quem conversar, a viagem torna-se bastante entediante. 

 

11 - Eu já bebi demasiado:

Eu nunca nem pretendo que alguma vez suceda. 

 

12 - Eu já confundi uma pessoa com outra:

Eu já. Para mal dos meus pecados, acontece-me com muita frequência. Não só confundo pessoas, como também me esqueço delas, ou, melhor, não as reconheço. Eu sou óptimo a aprender nomes, mas péssimo a memorizar características físicas. Se eu só tiver visto a pessoa uma vez ou se só a encontrar esporadicamente e não tiver muito contacto com ela, então, acabará, certamente, por não assentar bem na minha memória. 

Contudo, tudo se torna mais fácil se eu souber o seu nome e a inserir num contexto, mas o primeiro é obrigatório, dado que às vezes não vou lá só pelo contexto... e também ajuda se o nome não for extremamente comum como aqueles que se encontram em cada esquina: João, Joana, Miguel, Patrícia, entre outros. Sim, eu sou mesmo bastante mau nisto, mas, à partida, conhecer a denominação do indivíduo (ou indivídua) é a melhor pista para mim. 

Outro inconveniente que ocorre é eu lembrar-me de como a pessoa se chama e de um contexto em que a tenha visto, mas não me recordar do seu aspecto, pelo que, de quando em vez, também preciso de uma descrição. 

É um dos defeitos de que menos gosto em mim, porque causa situações embaraçosas.

 

13 - Eu já me perdi numa cidade/num país estrangeiro:

Eu nunca, porque estive sempre acompanhado, mas não duvido de que me aconteça caso me apanhe sozinho nalguma ocasião. O meu sentido de orientação geográfica não é propriamente o melhor... 

 

14 - Eu já tive uma experiência paranormal:

Eu nunca.

 

15 - Eu já roubei: 

Não me orgulho nada de dizer isto, mas sim, eu já. Uma vez apenas quando era muito mais novo, no entanto, no preciso momento em que engoli aquele cubinho de fruta, senti-me a pior pessoa do mundo e jurei a mim mesmo que nunca na vida voltaria a fazer algo tão horrível. Eu tê-lo-ia logo devolvido com o maior gosto, porém, o problema era ser comida...

 Até o sabor do doce ficou diferente. Não há dúvida de que a pior castigadora é a nossa consciência. Eu que o diga, pois custou-me imenso escrever estas linhas...

 

16 - Eu já apaguei uma publicação do Facebook por ter poucos gostos:

Eu nunca. 

:

17 - Eu já traí alguém:

Eu nunca.

 

18 - Eu já disse que ia deixar de falar com alguém que me magoou, mas não o fiz:

Eu nunca ameacei ninguém de que ia deixar de lhe falar. 

 

19 - Respondi com sinceridade a todos os pontos: 

Sim. 

14/09/17

Um Ano Roubado, um Tesouro Encontrado (2)

por Olavo Rodrigues

(...)

Pretendíamos incluir um vídeo a simular um telejornal, mas se há coisa com a qual nenhum de nós se entende muito bem é a informática, pelo que, para nossa desilusão, tivemos de representar os jornalistas fisicamente. Ao contrário do que aconteceu nas peças anteriores, houve um entrave na fluidez, visto que não tínhamos memorizado bem uma das partes do guião. Felizmente, a nossa professora era compreensiva, impedindo assim que esse deslize nos afectasse. 

Desta vez tivemos relativamente pouco tempo para ensaiar, o que se relacionou com a combinação de diversos factores: a extensão do guião, dado que a terceira peça era significativamente mais curta que as outras; a concepção da peruca, a gravação do vídeo que nunca chegámos a mostrar e, por último, mas não menos importante - foi, aliás, na minha opinião, um impeditivo espectacular - a minha ida a Itália. 

Ofereceram-me a oportunidade magnífica e inesquecível de visitar Itália com todas as despesas pesadas pagas. Tudo o que tive de fazer foi participar num concurso de contos/poesia/fotografia. Podia escolher todas as categorias, contudo, optei por apostar apenas na poesia. Enviei dois poemas via internet e, alguns meses depois, recebi a maravilhosa notícia de que podia ir a Itália para, possivelmente, receber um prémio. 

Quando me inscrevi, pensei que me fossem comunicar os resultados por correio electrónico, portanto, assim que soube a aventura que me esperava, fiquei uns dez minutos a saltar pela casa. Parti com as viagens de avião, a comida e o alojamento assegurados. A única parte que não cabia à organização do projecto Marco & Alberto Ippolito pagar era a deslocação até ao país hospedeiro. 

Eu bebi cada momento como se fosse o último. Para quem adora a diversidade cultural e linguística de paixão como eu, estar reunido na mesma mesa com pessoas de tantas nacionalidades diferentes - sim, porque o organizador não queria que houvesse muitas pessoas da mesma nação sentadas juntas - é fenomenal, é soberbo, foi perceber um troço da minha pequenez em paralelo com o meu enorme fascínio que nunca pára de crescer. 

Na mesma mesa ouviam-se quatro ou cinco idiomas diferentes: alemão, sueco, italiano, grego, português, entre outros. 

Adorei conhecer tantas pessoas interessantes com algumas das quais fiz amizade. Éramos parecidos em diversos aspectos, facto que permitiu uma sensação de união e uma convivência constantemente alegre e fluída. Quase todos eles eram pacatos e transmitiam imensa tranquilidade, como se não fosse a primeira vez que nos encontrávamos. A acrescentar a isto, tínhamos sempre a agenda preenchida com actividades, o que reforçou o nosso convívio e fez com que, provalvelmente, tenha sido a semana em que menos dormi até agora. 

A única pessoa com quem ainda mantenho um contacto razoavelmente frequente é o meu ex-colega de quarto alemão. Em todos os quartos havia três pessoas de nacionalidades diferentes de modo a promover a aprendizagem e a partilha cultural. No meu estavam agrupados um português, um italiano e um alemão. 

Seria óptimo se os cerca de quarenta participantes se reunissem de novo, visto que teria adorado desenvolver algumas das amizades que criei. Já pensámos em fazê-lo ao ir mudando de país hospedeiro, mas claro, há entraves de tempo e de dinheiro. Creio que teríamos dado uma excelente «turma», caso tivéssemos tido uma oportunidade de interagir mais duradoura, contudo, tal não seria possível durante um período muito longo, pois convém não esquecer que não éramos nós que tratávamos das despesas. 

Enfim, passada uma semana deliciosamente relaxante, regressei a Portugal de coração cheio, com a imaginação em brasa e, como bónus, com um pequeno prémio. Era altura de voltar aos ensaios... o actor dentro de mim estava em pulgas! Para nosso espanto, obtivemos uma nota igual à da peça anterior. Pensámos que havíamos descido devido à menor qualidade da representação e, consequentemente, do uso da língua inglesa. 

Para mal dos pecados de todos os finalistas, por muito que desejassem, ainda não era tempo de descansar, porque a época de exames havia chegado. Os nervos vieram-me à flor da pele, no entanto, iam sendo alternadamente vencidos pela determinação. Recusava-me veemente a perder o rodeo outra vez e nada me tirava da cabeça que havia de agarrar o touro pelos cornos e ingressar, por fim, no Ensino Superior... pronto, não era 100% assim, pois eu sentia-me bem intimidado. 

Começaram a surgir-me na cabeça aquelas armadilhas que a mente humana tanto gosta de preparar: e se eu não conseguir? Eu já falhei uma vez e nada me garante que não voltará a acontecer. As minhas notas a Português neste ano pioraram bastante. Tive de me mentalizar de que precisava de encontrar A Força, dado que tinha o curso de Tradução na mira. Como nenhum comboio espera, obriguei-me a garantir o meu lugar... e consegui. 

No ano lectivo de 2014/2015 tinha começado bem e acabado mal, mas no de 2015/2016 havia começado mal e acabado bem, o que prova que o esforço vale sem dúvida a pena e que qualquer sonho é possível. Aproveitei também para fazer o exame de Inglês, tendo em conta que o de História do outro ano havia sido catastrófico. Também me saí relativamente bem neste, o que, somado a tudo o resto dos dois anos, me permitiu subir satisfatoriamente a minha média baixa. Logrei ultrapassar o último aluno de Tradução aceite no ano anterior, feito que não teria alcançado, caso não tivesse agarrado no enorme leque de possibilidades que esta segunda oportunidade me proporcionou. 

A cada novo acontecimento, eu recolhia outra cor para o meu crescimento pessoal e aumentava a diversidade de prismas através dos quais contemplava a vida. Da mesma forma que fui mais bem preparado para a faculdade, foi também graças ao 13º ano que pude divertir-me e desafiar-me como nunca ao lado de um dos meus melhores amigos; se tivesse despachado logo o Secundário, não teria ido a Itália, que sempre tinha sonhado visitar. Isto entre outras aventuras incríveis! 

Todo este texto é um relato da minha experiência no ano lectivo de 2015/2016, desde os episódios aparentemente mais insignificante aos sucedidos mais marcantes. Eu fiz questão de registar tudo, pois posso vir a precisar de me inspirar novamente um dia.

tu! Sim, tu, jovem leitor/a, que também se farta de andar às aranhas, este texto também é para ti. Eu sei que as minhas experiências não te dizem muito, porém, estou a partilhá-las contigo para te mostrar que podes mudar a tua vida e a forma como encaras essa coisa chata, que é a rotina. Além disso, a seca piora quando temos de fazer algo de que não gostamos ou detestamos mesmo, e que nem sequer escolhemos fazer, como é o caso de frequentarmos a escola. Contudo, embora estejas certo/a ao dizer que não te identificas com o que te ensinam ou que aquilo te dá vontade de adormecer, a verdade é que, enquanto a nossa geração não tomar as rédeas do mundo, não podemos mudar tantas coisas quanto desejaríamos. 

Eu acredito que uma revolução já está a despertar em diversos aspectos da sociedade, mas os seus agentes ainda são relativamente verdes para pôr qualquer ideia dessa dimensão em prática. Assim sendo, o melhor a fazer é ir mostrando aos poucos a vontade de mudar. Algo simples como uma peça de teatro, por exemplo, ou sugerir eventos à Associação de Estudantes. Usar a tua criatividade diariamente para pequenas coisas ou simplesmente admirar o que te rodeia. Irás sempre descobrir algo em que nunca tinhas reparado. 

A infinita lista de escolhas está nas tuas mãos! Serve-te da tua criatividade, que pode ser a solução para um sem-fim de problemas. Ah, mas eu não sou criativo/a. És sim. Desenvolve essa capacidade e ficarás surpreendido/a com as tuas façanhas. Há pessoas mais propensas a ter essa característica, porque ninguém é um produto de fábrica, no entanto, toda a gente a possui e tu não és, sem sombra de dúvida, uma excepção. 

Quando começaste a aprender a escrever, as letras saíam-te logo perfeitas? Quando começaste a andar de bicicleta, dominavas o teu equilíbrio em pleno? Com a criatividade, assim como tudo o resto, acontece o mesmo: primeiro obténs maus resultados, mas depois evoluis. Digo-te que é diversão na certa. Através da criatividade, mais do que um excelente passatempo, também podes descobrir a tua vocação profissional. Quem sabe? 

Se ainda não descobriste que caminho queres seguir apesar de já estares no fim do Secundário, o meu melhor conselho é: se precisares, pára um ano ou mais e experimenta! Desenha, escreve, esculpe ou, se preferires uma área mais lógica, estuda física, química, sociologia... tudo o que te ocorrer é válido, mas faz alguma coisa. Viajar também é óptimo para abrir horizontes. É, inclusive, na minha óptica, uma das melhores opções. 

Faz-te um favor e não desistas de te esforçar na escolaridade obrigatória. Porra! Olha outro a tocar o disco riscado! Eu sei, eu sei, mas lê até ao fim. Por muito secante que seja, por muita vontade que tenhas de agarrar nos teus pertences e sair porta fora do nada, não desistas nem te esforces apenas no terceiro período. Falo por experiência. 

Eu nunca fui um mau aluno, mas também não posso dizer que sou propriamente brilhante. Sempre procurei não perturbar as aulas, contudo, possuo desde que me lembro uma tendência para me distrair um pouco acentuada e, no oitavo, bem como no nono anos, deixei-me levar por isso. 

Considerava muito mais cansativa a luta interior contra abandonar a Terra do que o conteúdo das aulas em si. Assim sendo, passava grande parte do tempo a fazer bonecada nos cadernos e cheguei até a inventar um alfabeto do qual ainda detenho o registo. Houve uma fase em que eu pensava que a minha paixão era desenhar. Já tinha descoberto a escrita, porém, andava numa espécie de corda bamba e as minhas actividades predilectas oscilavam (factos que podem ler aqui). 

Durante um bom espaço de tempo, eu gostava mesmo era de desenhar. O único problema era que não tinha jeito nenhum, por isso, contentava-me maioritariamente com os tradicionais homens-palito, os chamados stick figures, enquanto ia tentanto melhorar através da visualização de vídeos na internet. Posto isto, rabiscava e às vezes lá olhava para o/a professor/a para ouvir o que ensinava, mas ter-me-ia sido útil não me entusiasmar tanto e estar 60% da aula concentrado nos desenhos ao invés do/a professor/a. 

Resultado: quando chegou a altura da derradeira prova, eu vi-me aflito, pelo que, durante as duas semanas antes dos exames, estudei exaustivamente (para o de Português) e fartei-me de pedir a Deus que me deixasse passar. Consegui-o e o meu coração suspirou de alívio quando soube, porém, o alívio podia ter-me acompanhado no exame se tivesse tido dois dedos de testa. 

Portanto, não te desleixes ou a recuperação vai sugar-te todas as forças, embora te tenhas divertido quase o ano inteiro. Como te sugeri, tenta tornar a rotina um pouco mais agradável. 

Alegra-me imenso que não tenha publicado este texto há um ano como tinha planeado, dado que, ao ir para a faculdade, mudei muito e tive a oportunidade de melhorar o conteúdo que aqui escrevi. Descobri e ultrapassei alguns limites que não julgava passíveis de vencer, conheci mais de mim mesmo e, sobretudo, aprendi que, não importa o que se faça, ter-se-á sempre chatices. Eu tinha uma ideia bastante utópica do futuro que me esperava: nunca ia apanhar secas, nunca ia fartar-me daquilo... eu devia ter pensado duas vezes antes de tirar estas conclusões. 

Há alturas em que não nos apetece ou que só pedimos aos nossos botões que o tempo acelere, não só para determinada aula acabar, mas também porque as férias podem estar perto e nós já estamos nas últimas. Com isto não quero dizer que deves rejeitar estudar na faculdade ou qualquer outra actividade que te faça feliz, mas tem em mente que vais sempre passar por maus momentos, pois são eles que te obrigam a procurar respostas para te superares a ti próprio/a. 

Aliás, já que estamos a tocar no assunto, eu recomendo vivamente que te candidates ao Ensino Superior, porque é uma vivência incrível! Conhecerás pessoas parecidíssimas contigo, estudarás o que gostas, sentindo que vale a pena aprender aquilo, acordas todos os dias mais feliz (eu cá acordo) e tudo é diferente, visto que não existe o rótulo obrigatório. 

Precisas de te esfalfar a estudar? Sim. Quase não vives para outra coisa? Sim, porém, é uma experiência que fica para a vida

Vá! Concretiza-te! De que é que estás à espera para florescer?!

 

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