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Toca do Coelho

Uma espécie de blogue/livro/coiso com espécies de texto.

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25
Abr20

Tolerância aos Chineses

Olavo Rodrigues

Em cada esquina um amigo,

Em cada rosto igualdade,

Grândola Vila Morena,

Terra da fraternidade

AFONSO, Zeca - Grândola Vila Morena

Eis mais um pensamento algo aleatório, mas que me parece pertinente para a atual situação: soube de alguns relatos de pessoas que incriminam o povo chinês da pandemia. Não me refiro ao governo da China, mas às pessoas perfeitamente comuns do dia a dia que encontramos nas lojas e que têm de aturar comentários do género: "a culpa disto é vossa".
É de esperar que estes cidadãos não tenham nenhum pacto com o governo do seu país de origem, pelo que são tão vítimas do coronavírus quanto nós. Prevendo um crescimento da xenofobia contra os chineses nos próximos tempos, gostava de apelar ao bom senso: deixem estas pessoas em paz.
Como é que se sentiriam se fossem a uma ex-colónia de Portugal e vos dissessem: "baza do meu país, português esclavagista!"? Da mesma maneira que nós não merecemos ser desancados devido às más ações dos nossos antepassados, só é justo que tenhamos a mesma consideração por pessoas que não participam nem nunca participarão numa conspiração política.
Eu sei que o que vou escrever a seguir é utópico e está fora do alcance da civilização atual, mas esta epidemia serve para nos mostrar que estamos muito mais ligados do que pensávamos ou queríamos aceitar. Bastou uma coisa minúscula, que nem sequer se vê a olho nu, para assolar o mundo que conhecíamos. Perdoem-me a brusquidão, mas foi um valente chapadão na tromba: mesmo um daqueles que vemos no meme do Batman e do Robin.
A economia de toda a humanidade está de rastos, o que prova que a globalização apagou imenso as linhas do mapa. Quer queiramos aceitá-la ou não, a verdade é que já fazemos parte de uma unidade cujas peças são inseparáveis. Hoje em dia, faz cada vez menos sentido designarmo-nos como "portugueses", "espanhóis", "angolanos", "chineses", etc. Cada vez mais, tal como sempre devia ter sido, a casa de todos nós é a Mãe Terra.
Quer dizer, espalha-se que estamos todos metidos nesta alhada e que a humanidade deve permanecer unida, sim senhor, tudo muito bonito, mas basta desligar a televisão e as redes sociais para nos esquecermos disso? Ai a humanidade é isso?
Pessoal, se não queremos continuar a levar chapadões assim, precisamos realmente de trabalhar na consciência coletiva. Os pobres lojistas que encontramos por aí não fazem mais do que tentar manter o seu ganha-pão como qualquer outro. Então, porquê castigá-los com cortes na regularidade das visitas ou abdicar delas por completo? Porquê, ó, Senhor, incriminá-los? Parem de disseminar raiva. Já basta o maluco do Trump chamar a isto "vírus chinês", porque é mesmo disso que necessitamos, de nos dividirmos...
Toda a gente precisa de toda a gente. Nós precisamos dos chineses e eles precisam de nós. Quando não houver ressentimento contra esse povo, haverá contra outro qualquer e, nessa altura, perceberemos que também necessitamos do novo alvo. Porquê? Porque como presenciamos, quando um ou dois caem, gera-se o efeito dominó.

Eu não sou ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo.

Afirmou Sócrates, que viveu antes de Cristo. Se um iluminado foi capaz de formular esta ideia num mundo onde a vida humana não tinha qualquer valor e existia um sentimento exacerbado de divisão, porque é que a sociedade globalizada do século XXI comete erros tão mesquinhos e desprovidos de sentido?
Para finalizar, declaro e incentivo: acima de português, europeu e ocidental, eu sou um cidadão do mundo.

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