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Toca do Coelho

Uma espécie de blogue/livro/coiso com espécies de texto.

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23
Ago19

Bem Sentado

Olavo Rodrigues

Estou sentado à janela no preciso momento

Em que monto estes versos,

Mimado pelo sol,

Que, embrulhada na luz,

Me oferece alegria de viver ao corpo.

 

É no Vale dos Sonhos que vivo as maiores aventuras

De tipos tão variados e numerosos quanto as partículas de luz

Que relevam a genuinidade destas palavras.

 

Eu gosto daquele lugar

Estou seguro mesmo quando estou em perigo

E é tão bom saber que, 

Afinal, 

Não preciso de pagar pelas melhores viagens.

 

Mas hoje é diferente

O Verão também está de férias

E não sufoca ninguém,

Permitindo-me não ter de escolher

Entre respirar e escrever 

Hoje é dia de descanso

Para a Natureza, para os que me rodeiam e para mim.

 

Tenho de aproveitar:

Estou sentado. 

Estou sentado no descanso

Não há,

Aliás,

Outra forma de estar sentado.

 

Ou se senta ou se está no assento com bichos carpinteiros

Seja no rabo, na cabeça ou nas mãos,

As quais laboram em conjunto.

 

Hoje não trabalho: escrevo

Não é a mesma coisa

Escrever é para quando estou sentado

Trabalhar é para quando escrevo com bichos carpinteiros.

 

Em que hei-de pensar?

Não: como hei-de fluir?

Não há nada para fazer

A não ser mover a caneta

E contemplar o encanto da simplicidade do Agora.

 

Por uma vez, o mundo prende-me como é

Por uma vez,

Como um grão diferente em toda a praia,

O mundo é belo como é

E não apenas quando eu não sou como sou 

Fora dele.

 

A presença constante da vida:

Pessoas que passam a falar,

A criança que sempre chora e ri

A gaivota que anuncia a sua existência

Ao contrário de mim.

As pessoas que convivem fora deste isolamento à janela,

Deste presente que traduzo para aqui.

 

Por uma vez, o mundo apraz-me no presente

Mas, a bem da verdade,

Eu continuo a não ser uma peça desta maquinaria incansável.

Posso estar aqui, na fisicalidade, a assimilar as ocorrências

Mas não deixo de estar num casulo só meu

Enquanto o mundo passa por mim ao seu próprio ritmo

E eu me demoro aqui ao meu

Partilhamos o mesmo espaço-tempo,

Mas não a mesma vivência

Talvez nem sequer a mesma realidade.

 

Eu não sou parte da maquinaria 

Pertenço à Natureza,

Pois quis o Universo que fosse a minha natureza estar

No outro lado do equilíbrio:

No dos mais alheios. 

 

E não podia sentir-me mais grato

Por me conceder a oportunidade de parar

E de consertar o meu equilíbrio

Focado no ambiente certo,

Ao ritmo certo

E com o propósito da caneta certo.

 

Obrigado, Universo,

Por esta folga fora de mim

Por me deixares molhar só os dedos dos pés

E ter o melhor dos dois mundos. 

 

 

 

 

 

 

 

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