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Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

Toca do Coelho

A mascar o pensamento à sombra calma da luz irrequieta.

12/08/16

A Formalidade

Desde pequenos que a nossa cultura nos educa a usar diferentes tipos de tratamento para diferentes tipos de pessoas, mas se somos todos os humanos e iguais, não devíamos abolir este dogma?

A discriminação, seja de que tipo for e embora ainda seja muita, está a desaparecer, então, evoluamos neste sentido também. Não sugiro que de um momento para o outro passemos todos a tratar-nos por tu (se bem que essa é a meta a que quero chegar), contudo, por enquanto, fiquemo-nos pelo você aquando de uma situação de menos à-vontade.

Até porque eu próprio, apesar de estar a escrever isto, tenho este aspecto tão enraízado como qualquer outra/o cidadã/o e normalmente são os meus interlocutores que me convidam a tratá-los informalmente.

No entanto, sempre considerei arrogante por parte dos professores, por exemplo, obrigarem os seus alunos a dirigir-se-lhes por "o professor" ou "a professora", pois o você não é suficiente. Mas não há-de o ser porquê? Por terem tirado um curso superior? E então? O mérito e o sabor da conquista não é a própria façanha em si?

Por que precisam os estudiosos em geral de ser lembrados de que têm os títulos vezes sem conta, se está mais do que aceite que isso não os torna melhores pessoas?

Se eu for a uma peixaria, imaginemos, não tratarei quem se encontrar atrás do balcão por sr/a. peixeiro/a. Tal deve-se ao facto de a sociedade só atribuir este género de tratamento a profissões relacionadas com o intelecto, no entanto, se virmos bem, sustentar um estabelecimento assim também tem muito que se lhe diga. 

Em primeiro lugar e mais importante, há que abri-lo, o que já deve custar bastante do pêlo ao pormos a hipótese de que o/a peixeiro/a vem de origens humildes. Depois o peixe cru cheira mal que se farta e mesmo que se habitue, não duvido de que seja um alívio inalar uma lufada de ar fresco na altura de dar o dia por encerrado.

Tem também de manter a casa asseada, não sabendo se poderá contar com a ajuda de um empregado e por último, os clientes com parafusos a menos são uma grande dose. 

Entristece-me que toda a gente pretenda pôr os filhos no Ensino Superior. Como já referi aqui, a vocação da população inteira não está concentrada nas faculdades, primeiro é necessário deixar o talento do/a jovem florir sem pressão acerca do dinheiro. Esse é o trabalho da crise. 

Se vivêssemos num mundo governado somente por profissões teóricas, o que comeriam os doutores?

Caiamos na modéstia de assumir que duas letras antes do nosso nome não são coroas, são símbolos de reconhecimento. Pronto, mereceram ganhá-los, mas não é suposto esfregarmos os nossos prémios na cara dos outros de todas as vezes que ganhamos um.

Há uns que aparecem em forma de taças ou medalhas, os títulos universitários são letras e diplomas.  

 

 

 

 

 

08/08/16

Uma Galeria Oculta por Visitar

Desde que o mundo é mundo ou pelo menos desde que nos lembramos, sempre existiram diversos idiomas, os quais reflectem a cultura de cada falante. E também é um facto que sempre houve umas línguas mais faladas que outras até chegarmos ao processo de globalização e algumas se tornarem dominantes, principalmente o inglês.

É engraçado constatar que ganhamos independentemente de o nosso idioma ser amplamente conhecido ou não. Dá um jeitão muita gente falar a nossa língua, somos entendidos aonde quer que vamos, embora não seja aconselhável nem sensato as pessoas encostarem-se à sombra da bananeira. 

Faz parte do código de honra do viajante saber o básico tal como: cumprimentar, despedir-se pedir para ir à casa de banho, entre outros. 

Todavia, por outro lado, saber uma língua pouco conhecida ou falada é único e incrível devido a isso mesmo. Eu não concebo que um não-nativo de inglês, por exemplo, gostasse que a sua língua materna fosse o dito. Não desfazendo, os anglófonos merecem todo o mérito por terem feito da sua expressão linguística uma das ferramentas mais importantes do mundo actual. 

Mas hoje em dia, toda a gente acaba por aprender inglês, então, por que não celebrar que já se tem um passo de avanço nesse sentido? A minha perspectiva enquanto amante de línguas é que cada uma é uma obra-prima em si e ignorar a maioria, limitando-se a uma ou duas tem o mesmo sentido que apreciar o trabalho de Picasso apenas e deixar o resto dos artistas de parte, quando há tantos talentos a borbulhar. 

Portanto, se a vossa paixão for igual à minha, sugiro-vos que não ponham os quadros conceituados de parte, mas que também não ignorem os que aparentemente não têm muito ou nada para dar.
Quem sabe, uma majestosa preciosidade pode estar a aguardar o seu lugar na galeria, mas ainda não foi suficientemente descoberta.  Na minha mais sincera opinião, eu não acharia piada nenhuma a ver sempre os mesmos trabalhos, tornar-se-ia aborrecido.

Eu cá ando de olho no sueco, no japonês e no russo, a fonética dos três é estranhamente bonita e a do terceiro, engraçada também. 

Por que não aproveitar também para projectar o nosso rico português? Não há muitos falantes não-nativos e os existentes costumam preferir a variante brasileira. Nenhuma queixa tenho a apresentar quanto a isto, fico feliz por alguém conseguir impulsionar a língua portuguesa, contudo, Portugal tem de tentar puxar a sardinha à sua brasa, não é?

Uma última nota: como já referi aqui - Língua Portuguesa - urge salvar a maior representante do nosso país de uma extinção lenta, mas a ocorrer. A língua de Camões está a ser vorazmente engolida pela globalização e enquanto amantes deste tesouro, cabe-nos a nós abrandar o ritmo do desaparecimento exurbitante.

Não pará-lo, mas sim pôr-lhe um pequeno travão ao arranjar versões em português para os vocábulos modernos e deixar de misturar dois idiomas na mesma frase. 

 

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