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Toca do Coelho

Uma espécie de blogue/livro/coiso com espécies de texto.

Toca do Coelho

Uma espécie de blogue/livro/coiso com espécies de texto.

31
Mai20

Para Quando a Nova Manhã?

Olavo Rodrigues

Que desgosto fatal

A humanidade foi atropelada

Por um imprevisto tal

Que a deixou para sempre marcada.

 

Vida estranha esta que por um pé foi barrada

Como um carreiro de formigas em andamento

Corremos atrás de 2020 com um sorriso pequeno

Em busca da fraca luz da madrugada

Coberta agora pelo relampejar do sofrimento.

 

Com o caminho interrompido

Lá se vão as inúmeras ambições

Já tenho o cérebro entupido

De tanto covid e discussões.

 

Pede-se à arte que imagine

E à filosofia que pense,

Pois a ciência está desamparada

E a política deveras destroçada.

 

Assim, gira a distorcer a razão

Este círculo de caos desmedido

Equanto adiamos a nossa ascensão

Por tempo indefinido. 

 

Aleluia! Já podemos aquecer os motores!

De volta aos braços dos nossos amores

Devemos agradecer a nossa disposição sã

Por vermos levantar-se a nova manhã. 

25
Abr20

Tolerância aos Chineses

Olavo Rodrigues

Em cada esquina um amigo,

Em cada rosto igualdade,

Grândola Vila Morena,

Terra da fraternidade

AFONSO, Zeca - Grândola Vila Morena

Eis mais um pensamento algo aleatório, mas que me parece pertinente para a atual situação: soube de alguns relatos de pessoas que incriminam o povo chinês da pandemia. Não me refiro ao governo da China, mas às pessoas perfeitamente comuns do dia a dia que encontramos nas lojas e que têm de aturar comentários do género: "a culpa disto é vossa".
É de esperar que estes cidadãos não tenham nenhum pacto com o governo do seu país de origem, pelo que são tão vítimas do coronavírus quanto nós. Prevendo um crescimento da xenofobia contra os chineses nos próximos tempos, gostava de apelar ao bom senso: deixem estas pessoas em paz.
Como é que se sentiriam se fossem a uma ex-colónia de Portugal e vos dissessem: "baza do meu país, português esclavagista!"? Da mesma maneira que nós não merecemos ser desancados devido às más ações dos nossos antepassados, só é justo que tenhamos a mesma consideração por pessoas que não participam nem nunca participarão numa conspiração política.
Eu sei que o que vou escrever a seguir é utópico e está fora do alcance da civilização atual, mas esta epidemia serve para nos mostrar que estamos muito mais ligados do que pensávamos ou queríamos aceitar. Bastou uma coisa minúscula, que nem sequer se vê a olho nu, para assolar o mundo que conhecíamos. Perdoem-me a brusquidão, mas foi um valente chapadão na tromba: mesmo um daqueles que vemos no meme do Batman e do Robin.
A economia de toda a humanidade está de rastos, o que prova que a globalização apagou imenso as linhas do mapa. Quer queiramos aceitá-la ou não, a verdade é que já fazemos parte de uma unidade cujas peças são inseparáveis. Hoje em dia, faz cada vez menos sentido designarmo-nos como "portugueses", "espanhóis", "angolanos", "chineses", etc. Cada vez mais, tal como sempre devia ter sido, a casa de todos nós é a Mãe Terra.
Quer dizer, espalha-se que estamos todos metidos nesta alhada e que a humanidade deve permanecer unida, sim senhor, tudo muito bonito, mas basta desligar a televisão e as redes sociais para nos esquecermos disso? Ai a humanidade é isso?
Pessoal, se não queremos continuar a levar chapadões assim, precisamos realmente de trabalhar na consciência coletiva. Os pobres lojistas que encontramos por aí não fazem mais do que tentar manter o seu ganha-pão como qualquer outro. Então, porquê castigá-los com cortes na regularidade das visitas ou abdicar delas por completo? Porquê, ó, Senhor, incriminá-los? Parem de disseminar raiva. Já basta o maluco do Trump chamar a isto "vírus chinês", porque é mesmo disso que necessitamos, de nos dividirmos...
Toda a gente precisa de toda a gente. Nós precisamos dos chineses e eles precisam de nós. Quando não houver ressentimento contra esse povo, haverá contra outro qualquer e, nessa altura, perceberemos que também necessitamos do novo alvo. Porquê? Porque como presenciamos, quando um ou dois caem, gera-se o efeito dominó.

Eu não sou ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo.

Afirmou Sócrates, que viveu antes de Cristo. Se um iluminado foi capaz de formular esta ideia num mundo onde a vida humana não tinha qualquer valor e existia um sentimento exacerbado de divisão, porque é que a sociedade globalizada do século XXI comete erros tão mesquinhos e desprovidos de sentido?
Para finalizar, declaro e incentivo: acima de português, europeu e ocidental, eu sou um cidadão do mundo.

30
Mar20

Falhas da Língua Portuguesa (4)

Olavo Rodrigues

É curiosa a expresão "estar cheio(a) de fome". Afinal, a fome é uma sensação de vazio, por isso, será mesmo semanticamente correto dizer que se está cheio de vazio? Porque não dizer "há demasiado vazio em mim" - sim, eu sei que soa estranho - mas neste caso também seria uma incoerência. Não pode ser "demasiado", porque esta palavra indica a existência de alguma coisa, mas a fome é a ausência de comida no estômago, logo é nada e não pode haver demasiado nada. Quando muito, pode haver demasiada angústia por não haver nada. Quando muito, pode dizer-se que há um vazio demasiado grande e aqui existe alguma coisa: o tamanho do vazio e não a ausência em si. 

A língua de um ser absolutamente lógico talvez arranjasse uma solução do género: "sinto um vazio alimentar enorme". 

Estar de quarentena dá-me para pensar nestas coisas. 

29
Fev20

Ser um leitor humano não dá lá muito jeito

Olavo Rodrigues

"Ler demasiado" devia ser considerado uma combinação de palavras agramatical.

A maior angústia para um amante de palavras é aperceber-se de que é demasiado impotente e efémero para ler tudo o que alguma vez foi ou será escrito. É nestas alturas que dava jeito já terem descoberto uma maneira de transportarem a consciência humana para um robô, mas por enquanto esse sonho não passa de uma fantasia de alguns livros que tanto adoramos. 

21
Nov19

Muro Geracional

Olavo Rodrigues

- Olha lá, filho? - Chamou a minha avó enquanto eu acabava de beber água para apanhar o autocarro. - Não gostas deste programa? Tu ias gostar. É de cultura geral. - Isto veio a propósito de um anúncio a Mental Samurai, que passa na TVI e eu - com a maior espontaneidade e paz interior - limito-me a dizer de minha justiça.

- Não ligo muito à SIC nem à TVI. - Foi o suficiente para levar logo com isto na fuça:

- Pois, só gostas daquele parvo, não é?

Por “aquele parvo” entenda-se “Felipe Neto”, o youtuber que mais me consome tempo televisivo. De facto, sim, é muito parvo, pois de outra maneira não teria piada. O que adoro no Felipe é que me faz rir tanto quanto me faz pensar, mas para a minha avó, tal como para outras pessoas mais velhas, a estrela do YouTube só sabe produzir conteúdo vazio e nadar em dinheiro graças a isso. Não critico a minha avó, que tem mais que fazer do que discutir com o neto o parvo que ele tanto admira, mas trago uma análise àquilo que se conhece como o “muro geracional”.

Todas as gerações apreciam diferentes tipos de parvoíce, mas, por alguma razão, a de cada geração só é visível às outras. Há uma espécie de véu que nos cai nos olhos à nascença e que transforma qualquer gosto descabido nosso num primor de entretenimento e/ou intelectualidade, numa obra-prima como nunca se viu, no fenómeno do século! O que vem de trás, segundo a maior parte da gaiatada, não presta, porque o que é para cotas é uma seca e, o que vem a seguir, é a ruína catastrófica da verdadeira qualidade de vida. “Já não se fazem desenhos animados como antes!” é apenas um exemplo do que se costuma ouvir.

Volto à barreira entre mim e a minha avó. O seu Felipe Neto é a Cristina Ferreira. Da mesma forma que, se puder, vejo os dois vídeos diários do youtuber, a Cristina ocupa a televisão dos meus avós com igual devoção. Às terças e às quintas, quando almoço mais cedo, lá está ela a debater um crime com outros comentadores ou a atribuir um prémio rechonchudo ao sortudo que ligou, no momento certo, para o número do ecrã. Mas não fica por aqui. A minha avó não brinca em serviço, não senhor! Compra-lhe as revistas, é uma seguidora ávida das suas entrevistas e sabe na ponta da língua que produtos da Cristina Ferreira estão à venda. Eu não a censuro. Só não compro artigos do Felipe Neto, porque este não os lança em Portugal, mas dá-me gozo acompanhá-lo fora do seu canal por beber as suas palavras e sentir que há sempre algo novo a aprender com ele.

Diverte-me com as suas reações aos melhores memes da internet e satisfaz-me a sedenta curiosidade com vídeos de conhecimento de tudo um pouco. Além disso, se há um traço a destacar, é a sua infinita determinação de não fazer a mesma coisa por muito tempo, oferecendo um constante estado de criação. Representa, desse modo, uma fonte de inspiração para mim. 

Acrescento que a sua incansável luta contra o machismo, a homofobia e a transfobia se mostra incontornável. Que não se deixe cair no esquecimento a incrível promoção da tolerância que concretizou ao comprar 14 mil livros com conteúdo LGBTQ+, distribuindo-os gratuitamente a quem quer que quisesse levá-los na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. As obras tinham o seguinte rótulo: "este livro é impróprio para pessoas atrasadas, retrógradas e preconceituosas". Esta agressividade foi um contra-ataque à medida de censura do governador do Rio, que pretendia classificar como pornografia todos os livros que tivessem um resquício de homossexualidade tão simples como um beijo. Para "proteger" os menores, as obras seriam embaladas em sacos pretos com um aviso. 

À luz de tudo isto, tenho a certeza de que a minha avó sente uma ligação parecida à apresentadora da SIC. Diria até que há paralelismos entre a Cristina e o Felipe: o primeiro é o próprio modelo de trabalho. O canal do youtuber funciona como uma autêntica empresa - tem guionistas, editores, técnicos de som, etc - portanto, o único papel do proprietário nos vídeos é apresentá-los. O segundo aspeto em comum é o sentido de humor característico de tudo o que fazem ambos os entertainers, embora, claro está, sejam estilos diferentes. E por último, mas não menos importante, a inevitável tendência de gritar. Por um lado, temos (tínhamos): “esta resposta está... certa!” e, por outro, ouve-se (ainda): “é mas, não mais, diabo!”.

Comentários sobre a integridade dos tímpanos à parte, impõe-se a questão: o que é que torna tão difícil a visibilidade das parecenças e a aceitação das diferenças? E, mesmo que reconheçamos as primeiras, porque só gostamos delas no nosso molde geracional? A bem da verdade, talvez não exista uma resposta direta e unívoca. É tudo uma questão de hábitos e, posto que a humanidade tende a rejeitar o que é diferente do que costuma viver, a mesma ideia expressa de uma forma distinta sujeita-se à recusa. Aconteceu-me quando, pasmo, me deparei com a dobragem em português do Doraemon e do Cartoon Network. Só me ocorria: “o que raio fizeram à minha infância?”. É muito fácil de deduzir: mudaram-na para a ajustar às necessidades da infância de outras pessoas e, goste ou não, o mais natural é ter de me aguentar à bronca.

No fundo, creio que a rivalidade de gerações se resume à preguiça de entrar a sério no lado do outro, porque já levamos um certo tipo de formatação. No entanto, ainda bem que esta teimosia alimenta a vontade de separação, pois isso conduz a humanidade à constante reinvenção e ao aparecimento incessante de novas maneiras de conceber o mundo na semelhança e na distinção.

E vocês? Querem falar mal dos interesses de alguém para o incentivar a persistir na diferença?

06
Out19

Memória Eidética

Olavo Rodrigues

Se há coisa em que sou óptimo é esquecer. Não há dia em que não fique preocupado com a possibilidade de ter perdido alguma coisa. De vez em quando, chego a ter um mini ataque cardíaco, especialmente quando não sei da carteira – que já perdi duas ou três vezes – e acabo por constatar que estava apenas um pouco mais bem escondida no bolso ou guardada na mochila.

No entanto, umas vezes para bem e outras para mal, o meu cérebro tem uma capacidade de preservar memórias inúteis para o “aqui e agora”, que excede em muito conseguir lembrar-me de que não preciso de procurar os óculos, porque já estão na cara. De facto, o cérebro funciona como um computador e, se abríssemos o meu, veríamos três pastas principais na zona das memórias: “pessoas”, “lugares” e “experiências”.

Em jeito de exemplo, na primeira encontra-se o meu professor de Prática de Tradução de Inglês-Português, o qual infelizmente já faleceu. Era a personificação do “estou-me a marimbar!”, o que dava para perceber pelas suas antologias de capa mole com somente um agrafo a unir tudo. Ou então: "gosto de passar o Natal a beber cerveja. Agora por vossa causa, vou de ter de o passar a corrigir testes, por isso, se as notas e os comentários saírem um bocado esquisitos, já sabem porquê." Ou melhor ainda por esta inesquecível confissão: “se acham que perco tempo a preparar as vossas aulas, são mesmo tolos. Tenho mais que fazer!”. É claro que isto não passava de gozo, pois o semestre inteiro estava planeado e registado na antologia.

O meu professor deixou estas e muitas outras pérolas hilariantes e ou era adorado ou detestado. Falando do meu caso, creio que não há ninguém melhor para ensinar do que um excelente contador de histórias. Sentido de humor não lhe faltava, pelo que não havia uma única aula sua da qual eu não saísse bem-disposto. “Ele só sabe falar da vida dele!”, argumentavam alguns. Porém, eram precisamente as vivências do mestre que nos forneciam conhecimento sobre tradução e cultura. Oxalá pudesse ser sempre ensinado e entretido ao mesmo tempo.

Não abandonando o Ensino Superior, um lugar a destacar é, sem dúvida, a minha primeira faculdade. Um sítio maravilhosamente invulgar onde se encontra todo o tipo de pessoas: desde a rapariga aleatória que passou disfarçada de vaca ao amigo sempre descalço e ao autor com bichos carpinteiros, que nunca pára de andar de um lado para o outro, perdido num local alheio ao espaço-tempo. E está tudo bem. Sem stresse e sem limites desde que não se provoque stresse. A paz, a empatia e a curiosidade são indispensáveis e existem naquele espaço de forma tão consistente como as próprias aulas.

Hoje em dia, estou num sítio diferente no qual ainda não encontrei um encaixe, mas não faz mal. Pressa para quê se a semelhança com a primeira faculdade já é meio caminho andado para me sentir integrado? É verdade que é estranha esta familiaridade por não conhecer quase ninguém. Contudo, como sou exímio em esquecer, não me recordo de que começar e acabar é o resumo da vida.

Bem, o que dizer da pasta das experiências? As experiências são compostas por pessoas e lugares, os quais, por sua vez, dão à luz um momento nem que seja fictício. Eu devoro tudo o que me alimente a imaginação, seja novo ou velho, seja para miúdos ou graúdos. O principal motivo pelo qual escrevo ficção é poder, como as crianças, brincar ao faz-de-conta independentemente da minha idade. Escrever, na verdade, parece-se muito com montar legos: ao juntar pecinhas ou palavras, criamos qualquer coisa. Qual é a piada de ser adulto se não for também criança? Qual é a piada da vida sem imaginação?

Assim sendo, é frequente eu voltar a programas da minha infância ou adolescência como Phineas e Ferb, a músicas de High School Musical e a jogos como o Club Penguin. Não costumo procurar material de escrita, posto que isso surge de maneira espontânea. A questão é que sou um nostálgico incansável, portanto, é fundamental conservar a memória eidética. Entusiasma-me imenso imortalizar onde estive, com quem estive, o que vivi e o que não vivi.

Talvez nunca atine com o paradeiro da carteira, mas de certeza que nenhum lugar, pessoa ou experiência há-de cair na reciclagem.

23
Ago19

Bem Sentado

Olavo Rodrigues

Estou sentado à janela no preciso momento

Em que monto estes versos,

Mimado pelo sol,

Que, embrulhada na luz,

Me oferece alegria de viver ao corpo.

 

É no Vale dos Sonhos que vivo as maiores aventuras

De tipos tão variados e numerosos quanto as partículas de luz

Que relevam a genuinidade destas palavras.

 

Eu gosto daquele lugar

Estou seguro mesmo quando estou em perigo

E é tão bom saber que, 

Afinal, 

Não preciso de pagar pelas melhores viagens.

 

Mas hoje é diferente

O Verão também está de férias

E não sufoca ninguém,

Permitindo-me não ter de escolher

Entre respirar e escrever 

Hoje é dia de descanso

Para a Natureza, para os que me rodeiam e para mim.

 

Tenho de aproveitar:

Estou sentado. 

Estou sentado no descanso

Não há,

Aliás,

Outra forma de estar sentado.

 

Ou se senta ou se está no assento com bichos carpinteiros

Seja no rabo, na cabeça ou nas mãos,

As quais laboram em conjunto.

 

Hoje não trabalho: escrevo

Não é a mesma coisa

Escrever é para quando estou sentado

Trabalhar é para quando escrevo com bichos carpinteiros.

 

Em que hei-de pensar?

Não: como hei-de fluir?

Não há nada para fazer

A não ser mover a caneta

E contemplar o encanto da simplicidade do Agora.

 

Por uma vez, o mundo prende-me como é

Por uma vez,

Como um grão diferente em toda a praia,

O mundo é belo como é

E não apenas quando eu não sou como sou 

Fora dele.

 

A presença constante da vida:

Pessoas que passam a falar,

A criança que sempre chora e ri

A gaivota que anuncia a sua existência

Ao contrário de mim.

As pessoas que convivem fora deste isolamento à janela,

Deste presente que traduzo para aqui.

 

Por uma vez, o mundo apraz-me no presente

Mas, a bem da verdade,

Eu continuo a não ser uma peça desta maquinaria incansável.

Posso estar aqui, na fisicalidade, a assimilar as ocorrências

Mas não deixo de estar num casulo só meu

Enquanto o mundo passa por mim ao seu próprio ritmo

E eu me demoro aqui ao meu

Partilhamos o mesmo espaço-tempo,

Mas não a mesma vivência

Talvez nem sequer a mesma realidade.

 

Eu não sou parte da maquinaria 

Pertenço à Natureza,

Pois quis o Universo que fosse a minha natureza estar

No outro lado do equilíbrio:

No dos mais alheios. 

 

E não podia sentir-me mais grato

Por me conceder a oportunidade de parar

E de consertar o meu equilíbrio

Focado no ambiente certo,

Ao ritmo certo

E com o propósito da caneta certo.

 

Obrigado, Universo,

Por esta folga fora de mim

Por me deixares molhar só os dedos dos pés

E ter o melhor dos dois mundos. 

 

 

 

 

 

 

 

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